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domingo, 28 de outubro de 2018

LUTO PELA DEMOCRACIA

Hoje, dia 28 de outubro de 2018, é um dia de luto para todos que lutaram incansavelmente pela manutenção da democracia. Mas também é um dia de luto pois vi nessa trajetória de campanha uma grande quantidade de pessoas que pareciam justas, instruídas e com sensibilidade social fazerem campanha e votarem no fascista, agora candidato eleito, Jair Bolsonaro. Muitos que não fazem parte desses requisitos acima apresentados já imaginava que votaria na extrema direita, pois ocorreu novamente o fenômeno da pirâmide narrada por Darcy Ribeiro no livro “o povo brasileiro" [análise nesta matéria], em que uma elite poderosíssima, para ter o Brasil das desigualdades de volta (ou aprofundá-lo, já que Temer começou o serviço com o golpe), utilizou das mais variadas formas de retórica e representação para convencer aqueles que perdem direitos a detestar o lado que viabiliza direitos e cultuar o lado que tira direitos. Além disso, o candidato vencedor utilizou como estratégia consubstanciar todos os discursos e sentimentos de ódio, pois assim despertou o que há de mais arcaico no ser humano. Ouvi “gente de bem" dizendo que o apoiaria pois ele fecharia as fronteiras; que votaria nele para acabar com as cotas; vi servidor público dizendo que votaria nele pois viabilizará o Estado mínimo; e pasmem, vi gente o defendendo pra colocar todo mundo da esquerda na cadeia. Por fim, muitos votaram apostando que seu candidato não cumpra o que disse, ou seja, só pra tirar o PT (Que já não está no poder). Por isso estou de luto: Bolsonaro só ajudou muitos a saírem dos seus armários do politicamente correto, pois autorizou discursos e práticas de ódio. Sei que muita gente depositou seu voto no escuro só pra “mudar tudo o que está aí”, mas quem fez isso mostrou, de alguma forma, desconhecimento do perigo e desconhecimento total de seu “antes" candidato, que há 28 anos alimenta tudo o que está aí. De qualquer modo, Haddad obteve aproximadamente 47 Milhões de votos, o que mantém a esperança de que é muita gente lutando por direitos e por uma sociedade mais justa. A mistura do fundamentalismo religioso com os “Chicago Boys” trouxeram as ideias da Mont Pelerin para o Brasil e deve instalar efetivamente o ultraliberalismo que já está em curso. A diferença entre o ultraliberalismo implantado no mundo do Norte do ultraliberalismo “do lado de cá”, pra usar uma expressão de Milton Santos, é que por aqui não foi implantando o Estado de bem estar social. Isso significa que viveremos o que o Chile viveu, o que a Argentina está experimentando, o que muitos países do Sul já vivenciaram e tudo isso com a unção do voto. Como democratas, já respeitamos o resultado das urnas (apesar de sabermos que a manipulação ocorreu antes com o sequestro do Lula que ganharia no primeiro turno e, recentemente, com o caixa 2 das Fake News), coisa que sabemos que se o resultado tivesse sido outro estaríamos em ebulição e quebradeira total. A direita já mostrou isso em 2014: as urnas só são invioláveis se eles ganharem.
Portanto, minha mensagem é a de que precisaremos lutar mais e mais, pois ronda o perigo de um governo autoritário e ditador. É só o começo. Minha grande preocupação é com setores que envolvem o conjunto da população, em especial a educação. Sofreremos duros golpes contra as políticas já construídas. Cabe a todas as companheiras e companheiros unirmos em torno de uma ideia de país que viabilize direitos, a despeito de termos os três poderes contaminados com gente que não pensa no povo.  



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Ricardo Luiz Töws

Doutor em Geografia pelo PGE-UEM - Programa de Pós-Graduação em Geografia, membro do GEUR - Grupo de Estudos Urbanos e do Observatório das Metrópoles - Núcleo R.M.M. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR Campus Avançado Astorga).
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