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quarta-feira, 11 de abril de 2018

ENFIM, PRENDERAM LULA


Fonte da imagem: https://goo.gl/6c8mXK
Nos dias que antecederam e presenciaram a prisão do Ex-Presidente Lula li diversas manifestações e textos analisando este importante fato. Na verdade, foi o grande tema que permeou os debates nos meios políticos, acadêmicos, igrejas, redes sociais e até em botecos. O fenômeno Lula passou a dominar as narrativas, seja em defesa de seu legado e de sua importância para a democracia brasileira, quanto nos ataques diversos, daqueles que já o condenavam e queriam vê-lo preso. Não é novidade que sua presença no cenário político já incomodavam diversos setores há mais de 30 anos. Incontáveis capas de revistas e horas nos "jornais nacionais" sempre denunciaram as falácias de "corrupção", como queriam fazer crer e alienar a sociedade brasileira, mas sobretudo o tanto que ele incomodava a elite sendo o grande líder da esquerda neste país.
A esquerda, por sua vez, depositou nele as esperanças de uma revolução e de mudança de paradigma, mas não conseguiu fazer o saque deste depósito, pelo simples fato do Lula ter governado em um Estado Burguês, o que pressupõe fazer coalizões e dialogar com os setores reacionários arraigados em nossa cultura e formação. Os radicais, em algum momento, o abandonaram e o julgaram, assim como fizeram anteriormente os trabalhadores da Greve de 1978, que, mais tarde, tiveram que se redimir. Os mais sensatos, amplos conhecedores de como funciona a máquina pública, analisaram com cautela cada uma de suas decisões, que, mesmo baseadas em boas intencionalidades, acabavam por flertar com a burguesia, em um parlamento sempre tomado pela raposa cuidando do galinheiro. De fato, a democracia possibilita isso!
Esse flerte com a burguesia, teve por objetivo garantir a governabilidade, apesar das concessões que tiveram que ser feitas. Mas a governabilidade teve como fator positivo a viabilização do Estado de Bem Estar - não aquele da época de Keynes, mas aos nossos modos, pensando naquilo que era possível de ser feito, como por exemplo, a abertura das torneiras de investimento para a oferta de bens públicos ou bens de consumo coletivo -. Não foi o suficiente, dizem os ácidos críticos, mas sabemos que foi aquilo que deu pra fazer, erodindo com dinamites as arcaicas, reacionárias e consolidadas estruturas de dominação, oriundas da Casa Grande e da Senzala. A frase mais conhecida passou a ser "Nunca na História deste País", pois, de fato, muitas das realizações no período em que governou o país jamais tinham acontecido antes do seu governo. Só pra citar um mísero exemplo, o país tornou-se a 6ª economia mundial. Poderia ter usado a métrica da erradicação da fome, mas, como tem coxinhas que me acompanham, então as métricas da economia falam mais alto pra eles, dada a limitação cognitiva que admite apenas verbetes econômicos.
Seus mandatos findaram e Lula, com seus feitos e popularidade, conduziu Dilma para ser eleita e reeleita como primeira Presidenta do país. Com as expectativas de continuidade, que tinham sido muito boas, em que, naquele momento pobre andava de avião, comia churrasco e formava os filhos na faculdade, então o PSDB amargou a quarta derrota consecutiva nos pleitos eleitorais para o Planalto. Os tucanos perderam, pois seu discurso e fama de vendilhões não cabiam mais para uma população que experimentou alguma condição de dignidade jamais vista antes. Perderam, também, pois o fenômeno Lula continuava a rondar, mesmo diante dos insistentes ataques da mídia burguesa, colando a corrupção ao Lula e ao PT, como se os demais, estes sim corruptos e corruptores, fossem os "mocinhos" da história. Colaram, ainda, todo tipo de atrocidades para inviabilizar, agora não mais apenas Lula, mas todo o Partido dos Trabalhadores. Conseguiram!
Deram o conhecido diante do mundo "Golpe Jurídico-Midiático-Parlamentar" e viabilizaram até intervenção militar. O Jucá estava certo e, "com judiciário, com tudo", prenderam Lula sem demonstrar   provas. Agora passou a valer jejum, oração, pregação nos púlpitos das pentecostais e Dallagnóis da vida acreditando que seu sionismo deva valer para uma nação inteira. Como li em diversos textos, Lula fez do limão uma limonada. Capitalizou sua prisão e aproveitou pra unir a esquerda e demonstrar seu tamanho. Proferiu um dos seus melhores discursos que ficará na história e será um dos grandes objetos de análise científica no futuro. Ele ganha qualquer eleição que disputar por aqui. Naquele cenário, uma polícia troglodita e arcaica ficou refém da hora que ele quis se entregar e ele se entregou com a cautela e a serenidade de quem não queria ver o sangue dos seus pares derramado. De "maior corrupto da história deste país" como quer fazer crer a elite deste país e como quer acreditar toda essa massa de coxinhas, manifestoches e alienados deste país, ele passou a ser um "preso político e grande líder", agora indicado ao Premio Nobel da Paz. Apesar de nos entristecermos, pois sabemos que o golpe é contra toda a classe trabalhadora, inclusive contra esses coxinhas, ainda precisamos buscar forças e, cada vez mais, buscarmos a união da esquerda diante de tal injustiça.
Nas greves dos metalúrgicos ainda havia uma classe trabalhadora que conseguia se unir, travar o setor produtivo e ser ouvida. Hoje, o que temos, é uma população que não se identifica como trabalhadora, nem como proletária, muito menos como pobre. Ela não mais consegue fazer movimento paredista, devido à diversos fatores, entre eles, a existência dos sindicatos e organizações pelegos, como disse Lula em seu último discurso.  Portanto, uma população à beira da miséria (pois o golpe está trazendo a pobreza e a miséria novamente) ainda consegue ser tão alienada que não se vê como pobre, como operária, como lumpenproletária, ainda que levante de madrugada, tome longos e demorados transportes coletivos e agora é horista com menos direitos, como "presente" da Reforma Trabalhista do Temer.
Assim, indago: como unificar e mobilizar uma esquerda destroçada pela mídia, pelo judiciário e por alguns ratos que se locupletaram e se lambuzaram com a sujeira toda, deturpando o papel e os projetos dessa esquerda? Como enfrentar um Estado policial, que agora dá voz e vez aos verde-olivas e quer eleger Bolsonaro? Como criar estratégias para erodir esse judiciário corporativo, que não mais executa o Estado Democrático de Direito, mas julga de acordo com a vontade de juízes maçons-sionistas-pentecostais?
Agora que Lula foi preso, a direita ficou sem materialidade, pois sua luta nunca foi contra a corrupção, mas sim pela prisão de Lula e a inviabilização da esquerda. Ele preso, acaba essa materialidade e passarão a atacar, novamente, Dilma e todos os possíveis candidatos que buscarão espaço no próximo pleito. Mas daí pergunto: se Dilma se candidatar para Senadora de MG, não estará referendando o Golpe? Se os demais parlamentares da esquerda se candidatarem, não estarão legitimando uma eleição fraudulenta? Vão permitir uma eleição sem Lula, mesmo sabendo que ele ganharia no primeiro turno, por isso a estratégia do judiciário de tirá-lo do páreo? Como fica tudo isso?
É possível alguém dizer: mas você só pergunta e não traz soluções! Creio que a solução passa por uma esquerda que se assuma como trabalhadora, reunifique todas as bases e anule o Golpe e todos os seus atos. Ainda que pareça algo bizarro, diante da truculência dos "homens de bem" que tomaram o país de assalto e criaram o "NarcoEstado", creio ser essa a única alternativa capaz de reverter a farsa contra Lula e dinamitar todas as reformas realizadas por um governo ilegítimo. É preciso concentrar essa efervescência que mobilizou o povo diante da prisão de Lula e não mais ficar levando balas de borracha na capital mais coxinha do país! É preciso criar um fato novo, algo que possa erodir e desmantelar esse pseudojudiciário e tomar as rédeas deste país. Se não mais existe Estado de Direito, então não existe democracia. Se não existe democracia, então temos que recuperá-la à forceps. Se não for possível, busquemos a revolução, pois acredito que a direita não tem culhão pra enfrentar o lado certo da história. Se temos como fazer a revolução? O mundo todo está assistindo e denunciando tais atrocidades. Esse pode ser um interessante caminho...
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Ricardo Luiz Töws

Doutor em Geografia pelo PGE-UEM - Programa de Pós-Graduação em Geografia, membro do GEUR - Grupo de Estudos Urbanos e do Observatório das Metrópoles - Núcleo R.M.M. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR Campus Avançado Astorga).
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