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quinta-feira, 8 de março de 2018

8 de março - Dia Internacional da Mulher

Hoje não vou produzir um texto meu sobre esse dia, pois já fiz em outros anos, como por exemplo, em 2014. Mas pedi para uma estudante do ensino médio técnico, Bianca Frezarin Alves tecer algumas considerações e ela produziu uma reflexão, que aqui vos trago na íntegra:



   Dedico esse texto a todas as mulheres da minha vida, mãe, avós, tias, irmã, primas e a todas as mulheres do mundo.
   Você já deve ter ouvido aquelas famosas frases: "Rosa é de menina e azul é de menino", "Carrinho é brinquedo de menino, boneca é brinquedo de menina", mas nunca parou para pensar o efeito que essas frases podem causar. A princípio, parecem frases inofensivas, mas quando crescemos elas ganham forma e peso em nossas vidas, em nossos cotidianos. Elas influenciam até nossa forma de pensar e agir.
  Já parou para refletir, porque sempre é a menina que ganha uma boneca e uma cozinha com um conjunto de panelinhas como brinquedo? E porque são os meninos que ganham carrinhos, videogames, bola de futebol, arminhas de brinquedo?
  A mulher sempre foi vista como aquela que fica em casa cuidando dos filhos e dos afazeres domésticos. Mas é claro que uma criança não vai cuidar de outra criança, muito menos realizar afazeres domésticos. Então a maneira mais eficiente de ensinar as meninas que seus lugares são fazendo comida e cuidando dos filhos, é criando cozinhas de brinquedo, panelinhas, rodos, vassouras e bonecas. E como se não bastasse as bonecas com características de bebê, também temos um outro exemplo que são as famosas barbies e princesas. As bonecas que toda menina sonha em ser um dia. Porque representam o padrão da mulher da alta classe e do padrão de beleza que a sociedade impõe. Sem contar que a maioria das barbies e princesas, tanto bonecas quanto em desenhos, são brancas, ou seja, há um número muito pequeno de bonecas negras e desenhos que temos princesas negras.
   Do outro lado, temos os meninos, que não precisam aprender a cuidar da casa. Porque quando crescerem, vão trabalhar fora, sustentar a mulher e ter janta e almoço prontos para eles quando chegarem em casa e isso não é nada mais, nada menos do que obrigação da mulher. Afinal, o trabalho pesado ficou com o homem mesmo. Então eles podem muito bem chegar em casa, deitar no sofá, ligar a televisão, jogar um videogame, ou assistir um jogo de futebol, porque foram ensinados que lugar de homem é assistindo jogo de futebol, é dirigindo, é jogando. O engraçado, é que além de tudo isso, os homens também são ensinados que precisam ter o controle, que precisam ter uma arma para se sentirem homens, que precisam demonstrar força para provar sua masculinidade, já que a mulher é um ser frágil, afinal, e não pode se defender sozinha.
    Muitos dizem que é provado cientificamente que os homens são mais fortes que as mulheres fisicamente. Muitos acham que descarregar um caminhão com sacos de cimento é demonstrar força. Mas aí eu te pergunto, será que um homem aguentaria passar 1 dia de menstruação? Tendo que passar por distúrbios emocionais, tontura, fraqueza, CÓLICAS menstruais (que para vocês equivale a uns 10 chutes em suas partes genitais), dores de cabeça, e ainda assim ter que trabalhar, estudar, e muitas vezes fingir um sorriso para não passar por mal educado? Será que um homem conseguiria lidar com os sentimentos paralelos de estresse e tristeza, chorando pelos cantos sem saber o motivo de estar chorando? Será que um homem aguentaria se olhar no espelho durante 9 meses, sem ter insegurança nenhuma por estar com uns quilos a mais e na hora de ter o filho em mãos, será que também aguentaria a dor de um parto? Será que um homem aguentaria passar 1 hora de salto alto em uma festa, sem poder perder o equilíbrio e sem poder olhar para o chão para saber se há um obstáculo, porque isso é feio e significa que você não sabe andar de salto, será que um homem aguentaria passar por isso? Será que um homem aguentaria ligar a televisão e ver a sociedade esfregando na sua cara que para ser bonito é preciso usar maquiagem, usar cremes de rejuvenescimento, evitar estrias e conservar sua magreza?
  Esses são alguns exemplos que gostaria que pensassem e gostaria de sugerir aos pais, aos professores, a todos que chegaram até aqui na leitura desse texto, que observem o comportamento de seus filhos, que os criem pensando no futuro de suas filhas ou noras. Porque o machismo também vem da forma como as pessoas foram criadas. É perceptível a diferença de tratamento de um pai para com uma filha e um filho. A filha é sempre aquela que fica mais em casa, que deve ajudar a mãe. E o filho é aquele que tira a carteira primeiro, que ganha o carro primeiro, é aquele que precisa pegar várias para provar ao pai que é homem, que no seu aniversário ao invés de um livro, ganha um kit de camisinhas. E a menina é sempre aquela que deve ficar em casa estudando, ajudando a mãe a cuidar dos irmãos, a limpar a casa e namorar somente quando tiver permissão do pai e se tiver. É aquela que não pode usar uma saia acima do joelho, nem um decote. Mas quando se trata do filho, ah, ele sim pode jogar bola sem camisa, por causa do calor, pode andar de roupas íntimas dentro de casa, porque não tem problema. Porque ele é homem. E aí pessoal, estou mentindo? Cuidem de seus filhos, amem seus filhos, ensine-os que sem a mulher, eles não estariam aqui.
   Mulheres, não deixem de ser vocês mesmas, valorizem-se, nós não nascemos para ser tapete de ninguém. Nascemos para desfilar nossa força nessa sociedade que não nos conhece como deveria. Saibam, que se os homens podem exigir de nós, nós também podemos exigir deles. Não aceite qualquer coisa, você merece mais. Você é valiosa. Nunca se subestime, sempre deseje o topo, porque você pode chegar lá. Não deixe a sociedade te dizer onde você deve estar, mostre a ela que o seu lugar é onde você quiser e quando e como quiser. Não seja comprada, nem vendida. Seja desejada pela sua essência. Use a cor que quiser, use azul, use verde, use preto. Use calça, jogue bola, jogue videogame, compre uma pizza ao invés de fazer o jantar, ou saia para jantar, você não é obrigada a cozinhar, use a roupa do tamanho que quiser e nunca, nunca deixe de ser você mesma. Você pode e tem o direito de ser você mesma. A sociedade vai te julgar se você fizer ou não fizer, porque quem não tem vida própria precisa falar da vida alheia, mas cá entre nós, se estão falando de você, é porque você os incomoda e se você incomoda, é porque você é importante. A nossa luta continua, não desista. Persista.

Bianca Frezarin Alves


 Fonte: Facebook



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Ricardo Luiz Töws

Doutor em Geografia pelo PGE-UEM - Programa de Pós-Graduação em Geografia, membro do GEUR - Grupo de Estudos Urbanos e do Observatório das Metrópoles - Núcleo R.M.M. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR Campus Avançado Astorga).
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