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quarta-feira, 27 de abril de 2016

IFPR promove evento sobre inovação. Mas que Inovação?

Ontem, dia 26 de abril de 2016 tive oportunidade de participar do primeiro dia do evento sobre inovação promovido pela Pró-Reitoria de Extensão, Pesquisa e Inovação do Instituto Federal do Paraná. O evento trata da inovação e da constituição dos Núcleos de Inovação Tecnológica nos Campus do IFPR. O espaço é locus privilegiado para a interdisciplinaridade, uma vez que possibilita que servidores com as mais variadas formações possam locupletar-se e embebedar-se com as inúmeras possibilidades de inovar e empreender, o que poderá viabilizar, em um futuro próximo,  uma esteira institucional que incorpore, de uma vez por todas, a inovação nas pautas pedagógicas e de formação para o mundo social do trabalho. Os debates e as apresentações mostraram que ainda existe um caminho longo pela frente, não no sentido de criar os mecanismos burocráticos e viabilizar este órgão dentro do nosso organograma, mas sim no sentido do entendimento do que é inovação e como ela deve ser abordada pela comunidade do IFPR. A primeira palestra, com entendimento dos elementos conceituais do tema, não abriu a possibilidade de enxergar a inovação para além do mercado e da movimentação financeira de todos os processos que envolvem o fazer docente. Isso deve ser combatido, uma vez que a inovação está presente no nosso cotidiano e deve servir para o benefício da comunidade ou de qualquer recorte espacial que seja, não se prendendo apenas à geração monetária,  mas incorporando produções de Tecnologias Sociais,  gerando benefícios diretos em uma metodologia ou forma de fazer algo. Em outras palavras, precisamos comer o bolo: para isso, é necessário criar formas eficientes de faze-lo; inovar na forma da escolha dos ingredientes; inovar nas estratégias para assar o bolo, talvez mais rápido,  talvez com outras tecnologias. Acima de tudo, temos que inovar nas formas que nos ajudem a COMER o bolo e não VENDER o bolo! Vender o bolo pode estar na pauta, mas antes precisamos matar a nossa fome. Nossos estudantes precisam inovar nas formas de aprender para depois inovar e produzir tecnologias para o tão "desejado" mercado. Nossos servidores precisam, acima de tudo, entender a concepção da nossa escola e saber a que ela veio, para depois debater a inovação para ganhar dinheiro. Fiquei estarrecido quando,  no contexto do debate sobre a referida palestra,  a única alternativa que proferiram foi de inovar para ganhar dinheiro e produzir riquezas para quem inovou! Não!!! O preço da inovação é o retorno direto à comunidade escolar, em termos de desenvolvimento social e socioespacial da escola, da comunidade, dos estudantes,  da cidade... Viabilizar educação de qualidade para os trabalhadores e seus filhos é inovação em um país que sempre a forneceu, às custas do trabalhador e do Estado,  para as elites deste país; fomentar formas de permanência do estudante pobre na escola é inovação e o retorno que deveremos receber por este trabalho é ver o estudante resgatado das drogas e de todas as outras vulnerabilidades possíveis e vê-lo formado para enfrentar as dinâmicas da sociedade e, por consequência,  o mundo social do trabalho e não o "mercado de trabalho"! Mas, e o dinheiro? O servidor recebe seu salário mensalmente pelos trabalhos prestados à sociedade. Eliminar os vestibulares e viabilizar as vagas públicas por sorteio, resguardando cotas para todas as classes e setores da sociedade é inovação uma vez fornecer educação pra quem já sabe, que é o que ocorre com as grandes universidades é facil - há uma seleção positiva dos estudantes, que estudam por conta e sempre tiveram condições e oportunidades -, para estes é só dar a referência e eles vão 'por conta'. Quero ver colocar estudantes de todas as classes, com todas as vulnerabilidades possíveis em um mesmo ambiente e buscar nesta conjuntura, o encantamento e a aprendizagem! Daí sim inovamos. Queria ter visto neste debate uma nova ótica sobre o conceito, o que só foi possível  na mesa redonda seguinte. Um poema! Docentes de diversas instituições apresentaram novas formas de inovar: economia solidária,  tecnologias sociais e resgate de comunidades deprimidas. Fiquei feliz e senti meus argumentos acima contemplados. Eu ouvi que, a despeito das cabeças burocráticas e em caixinhas de sapato dos legalistas e administradores, que, se o "metodo é o caminho, o caminho se faz caminhando", ou seja, os padrões e estruturas estabelecidas não dão conta de viabilizar a nossa missão: precisamos "inovar nas formas de inovar"; ao invés de competir, agrupar pessoas; ao invés de pensar na inovação para ganhar dinheiro, o que não deve ser negado mas visto com cautela, pensar na inovação para viabilizar bens de consumo coletivo; que a tecnologia deve ser construída "com" a comunidade e não apenas "para" a comunidade; deve servir para a inclusão social; deve promover a emancipação do sujeito; deve transferir o domínio da tecnologia para a comunidade; a inovação precisa ser centrada nas pessoas e não no dinheiro, que será apenas consequência de uma construção social; enfim, estabelecer um debate "para uma outra inovação". O discurso recorrente já é praticado por instituições criadas sob medida para este fim, como por exemplo o Lactec, Tecpar, as incubadoras, o INPE, entre outras. O IFPR tem que inovar, mas respeitando sua missão e função social.
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Ricardo Luiz Töws

Doutor em Geografia pelo PGE-UEM - Programa de Pós-Graduação em Geografia, membro do GEUR - Grupo de Estudos Urbanos e do Observatório das Metrópoles - Núcleo R.M.M. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR Campus Avançado Astorga).
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