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sábado, 30 de maio de 2015

Trajetórias de Diogo Lamotta Resino no mundo da robótica



Abaixo publico a história contada por Diogo Lamotta Resino, um dos árbitros que nos ajudaram na Olimpíada Brasileira de Robótica, Etapa Estadual, que aconteceu em Londrina em 2014. É um estudante que, com todos os desafios e dificuldades de estudantes que conhecemos, enfrenta os desafios nesta nobre tarefa de promover a área de robótica por este país. Como Diogo Resino gratuitamente nos ajudou, então faço questão de publicar um pouco de sua trajetória (o texto foi elaborado pelo estudante) para incentivo dos demais alunos que querem debruçar sobre esta área fantástica de produzir conhecimento e desenvolver trabalhos em equipe: 

Parte I
Sou nascido e resido em Assis-SP, tenho 21 anos, estudei da 5ª série (2005) até o 3º colégio (2011) no SESI daqui. No SESI fiz algumas atividades como ser do time de volêi da escola e ao mesmo tempo fiz teatro comédia no teatro municipal da cidade entre 2005 e 2007.


Ambas atividades eram bem bacanas! Com o time de volêi consegui ser campeão regional em um campeonato entre as escolas SESI, que se chama JES (jogos estudantis SESI), isso em 2006. Também consegui no mesmo ano de 2006 uma medalha de bronze no xadrez e ouro na dama. (gostava disso) kkkk!


Sobre o teatro, foi onde me descobri praticamente, pois eu não fazia nada demais...

E com isso, me apresentava uma sexta feira por mês no municipal e sempre que tinha peças de comédia nos teatros da região, eu ia.

Ali, digamos que descobri minha habilidade de escrever, facilidade de interação e comunicação e descontração.  

Em 2007, no final do ano, houve dentro da rede SESI-SP uma grande mudança ao aspecto estrutural das escolas...

A maioria das escolas que são somente CE (Centro Educacional), ou seja, só a escola todas caindo aos pedaços, que mal tinham uma quadra de esporte, não existia centros de informática, "male má" bibliotecas começou a mudar dando-se um padrão a todas elas...

Com toda essa estrutura foi possível uma mudança drástica em toda rede SESI-SP e daí começou a ter o mesmo padrão que em cidades onde não haviam o CAT, que é um clube esportivo integrado a escola.

Em 2008 surgiu a robótica SESI, que é aulas de LEGO para a criançada até a 8ª série. Foi aí que conheci a robótica. A principio não gostei muito não, detestei as aulas e fiquei ali só para não ter aula de outras matérias mesmo.
Mas estava realmente arrependido de ter parado com as outras coisas que eu fazia para me dedicar a robótica. Naquele ano, era o primeiro do projeto Robótica SESI, eram somente aulas, não tinham torneio nem treinos, nada! Somente aulas...
E no meio do ano, mais precisamente em setembro a prof tirou licença e entrou um outro que manjava muito mais que ela, diga-se de passagem e ele percebendo meu desinteresse total naquilo, me apresentou o arduíno e a programação pura mesmo. Me emprestou o livro e tudo e a partir daí sim! Mergulhei fundo e me aprofundei na área.
No ano seguinte, em 2009, começou a ter competições de LEGO e também a participação do SESI-SP na OBR, onde participei pela primeira e única vez como competidor.
Em 2011 conclui meu ensino médio pelo SESI e já bem habituado à programação e ao arduíno comecei a entrar como ajudante voluntário nas aulas de lego lá pra criançada (mesmo não sabendo nada daquilo).
Como não passei no vestibular até hoje, resolvi fazer um cursinho de psicanálise na UNESP, que durou 2 anos e foi concluído em abril de 2013. Depois dessa área de eletrônica, digamos que seja a área que eu mais me interesse...

E em 2013, ainda não passando na faculdade federal em engenharia eletrônica ou mecatrônica, comecei o curso técnico em eletrônica e programação pela escola técnica do estado de SP (ETEC) daqui de Assis.
Em março do mesmo ano, terminando o curso na UNESP e já cursando o curso técnico, recebi o convite de dar aulas de arduíno no lugar deste professor que começou tudo comigo e foi embora da cidade.
E assim comecei essas aulas e fiquei até o final do ano.
Terminado o curso na UNESP, comecei o 2º módulo do curso técnico que foi de 1 ano e meio, dividido semestralmente em 3 módulos.
No 2º módulo me destaquei no curso e virei auxiliar de curso e entrei pro time de eletrônica da ETEC, o primeiro time desde então.
E com isso, além do vinculo de um ano e meio de curso, ganhei mais 6 meses ali dentro como membro do time e sendo auxiliar de curso.
Como auxiliar de curso montava minicursos de arduíno em alguns sábados na escola, além dos treinos e competições e feiras com a ETEC.
Com esse time fui a FEETEPS 2013, na feira latina de escolas técnicas que ocorreu em SP. Participei de 3 semanas Paulo Freire, que é a semana de tecnologia da Fatec que aconteceu em Ourinhos-SP, além de outras 3 competições e feiras em Marília, na UNIVEM, em Bebedouro, na UNIFAFIBE e na Fatec em Presidente Prudente.
Esse foi meu vinculo com o CENTRO PAULA SOUZA.
Já com a robótica SESI que andou lado a lado com essas coisas da ETEC, em fevereiro de 2014 parei com as aulas de arduíno, pois estava na reta final do curso técnico com TCC que foi um semáforo inteligente feito com arduíno e tinha os treinos da ETEC e o cargo de auxiliar, estava sem tempo nenhum!
E então numa bela noite, conheço pelo facebook o SR Walter Vicioni, superintendente do SESI-SP. Ele é o segundo manda chuva, só fica abaixo mesmo do presida Paulo Skaf.
E na conversa com ele pelo Facebook ele me explicou do voluntariado da OBR e me indicou para o pessoal de dentro da Robótica SESI e com isso consegui ser chamado para integrar o quadro de voluntários da OBR. Com isso, consegui ir a três regionais SP da OBR e duas estaduais, SP e PR. Tudo devido a conhecer gente e mais gente e mais gente que foi me indicando, tipo um telefone sem fio.
Eu também sempre fui cara de pau e sem vergonha e ia sempre buscando informações de email nos sites e mandando pra todos. 
Depois de tudo isso, após agosto, com o fim das estaduais da OBR, conheci varias pessoas nesses eventos que eram também da robótica SESI e, da mesma maneira, entrei para a FLL (First Lego League) e participei das seletivas de São Caetano do Sul e Curitiba. Só não fui prá Osasco devido ao ENEM 2014. 
E hoje tenho contato com as principais pessoas do SESI DN(Departamento Nacional) e as principais chefes da OBR(DR Flavio Tonindandel e DRA Esther Colombini) que me chamarão para algumas seletivas da OBR 2015.
E graças a OBR, mais precisamente na regional 1 que ocorreu em São Carlos na USP em junho e na estadual SP na FEI em São Bernardo do Campo-SP, conheci um time de escola municipal da cidade de Tupã, que foram para o nacional também na USP São Carlos: molecadinha de 9, 10 anos de nível 1 da OBR que passou em 1º lugar na regional e na estadual acima até de muito time bom, com mais recursos (Times SESI) e até mais velhos de nível 2. E fiquei sabendo da história deles que eram financiados totalmente pela prefeitura e de Tupã, que é uma cidade de menos de 60 mil habitantes.
Fiquei desde então sempre pensando em porque Assis não pode fazer o mesmo e em março deste ano, inciei um projeto de implementação de aulas de LEGO nas escolas municipais, de 1º a 5º ano.
Um projeto feito inteiramente por mim que foi revisado por um amigo meu, que conheci nessa estrada toda de campeonatos por aí e que vira e mexe me da carona pra algum evento. Ele hoje virou gerente da ZOOM Education da região, a ZOOM que é a distribuidora oficial da LEGO no Brasil. É Através dela que é feita toda a parceria das aulas de robótica nas escolas públicas e particulares.
Ele aprovou e eu mandei para a câmara, onde foi aprovado e ganhou respaldo de dois vereadores e foi encaminhado a prefeitura e a secretaria de educação, onde está para ser marcada uma reunião com toda coordenadoria pedagógica municipal, a secretária de educação, vereadores, e o prefeito da cidade, junto aos representantes da LEGO na região e eu, que espera ansiosamente por essa implementação.


Parte II
No ano passado além de tudo aquilo, quando me sobrava tempo, fazia bico num escritório de plano de saúde e convênio médico. De lá que saia minha grana pra algumas viagens onde eu usava para alimentação.
Para ir aos eventos, eu ia de ônibus com a ajuda de custo, mas só quando não achava caronas com o pessoal da UNESP daqui e de Marília, no qual eu tenho algumas amizades.
Para o primeiro torneio de todos em São Carlos, na regional SP da OBR, eu fui até Marília que fica a 75 km ao norte daqui e de lá peguei carona até a cidade de São Carlos. Sempre que possível, chego um dia antes aos torneios para fazer um passeio cultural as cidades visitadas.
No ano de 2014 foram 42 cidades ao todo.
Algumas viagens teve um espirito mais que aventureiro, onde passei por muitas coisas na qual nenhuma amnésia é capaz de apagar eu acho. 
Foram duas que me marcaram alias, a primeira foi indo para a estadual SP da OBR em São Bernardo do Campo-SP.
Funcionou no mesmo esquema de caronas, mas essa foi com o Renato Ramos, hoje gerente da ZOOM Education na região de Marília, Presidente Prudente, Bauru e Botucatu.
Ele ainda morava e trabalhava em Santo André, mas estava de mudança já para Ourinhos, onde ele reside. Naquela época ele estava numa reunião em Pompeia onde fica a franquia da ZOOM na região de Marília. De lá ele iria para a casa em Santo André e no dia seguinte para a estadual em São Bernardo do Campo. E eu fui com ele, chegando na grande SP o celular dele acabou a bateria, onde era ligado o GPS para achar meu hotel que ficava em São Bernardo. E como tenho muita sorte, o meu celular também acabou a bateria e eu só lembrava o nome do hotel, não lembrava mais nada! Aliás eu nunca tinha ido ao ABC na minha vida.
Paramos num posto para perguntar, mas pô! Estávamos em São Paulo, não numa cidade amiga do interior.
Obviamente que não conseguimos nenhuma informação.
Até que veio o google maps na minha cabeça e eu lembrei que ficava embaixo da avenida principal da cidade, e ele como bom morador do ABC desde a infância, sabia onde era. Ao chegar nessa avenida eu disse:
- Ok. Agora é só ir olhando à direita, é uma rua sem saída e que termina com a loja pernambucanas na frente. Era mais de 22h, estávamos viajando desde as 17h, como enxergar aquilo?
Até que o milagre aconteceu e achamos! Fomos para essa rua e não tinha hotel coisa nenhuma!
Nessa hora bateu um pouco de tensão, até que uns 5 min percebemos que tinha a mesma rua de ambos os lados da avenida e fomos para o outro lado e aí sim! Achamos o Hotel Casablanca.
Era 22h40 da noite de sexta.
O Renato foi para a casa dele em Santo André e eu fiquei lá, sem a minima ideia de onde eu estava e onde ficava a FEI.
Pois bem, no dia seguinte, as 6h10 da matina, sabadão, já estava em pé e as 6h40, estava frio e garoando...
Eu sem nunca ter estado naquela cidade, fui ao ponto que ficava no mesmo quarteirão e com algumas informações descobri que o ponto do busão certo era há duas ruas pra baixo e a 6 quadras pra trás e lá fui eu com uma mochila e uma mala, andando as 7h da manhã de sábado pelas ruas de S.B.C.
Quando entrei no bus, lotado! Aquilo era inacreditável para mim, um cara hiper caipira do interiorzão! Nem em dia de semana na hora do almoço eu pego bus lotado.
Por minha sorte antes das 7h40 eu já estava lá, o bus parou bem atrás da FEI.
E eu que dormi só 6 horas, já estava ficando com sono e mal sabia eu o que tinha pela frente...

Parte III

Apitamos em duplas o dia todo, ganhamos almoço, café, etc.. além de juiz, antes de começar o torneio, eu fui responsável pela colocação da transmissão do evento no ar.

Enfim, estas foram algumas das aventuras que vivo fazendo este trabalho de voluntário nas Olimpíadas de Robótica Brasil afora. 

Como é trabalho voluntário, às vezes ficamos na perrenga e na dependência de ajuda ($$$) para comprar passagens e hospedagem. Se alguém gostou da minha história e quiser contribuir de alguma forma, entre em contato pelo e-mail diogo.resino@hotmail.com


Muito Obrigado

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Ricardo Luiz Töws

Doutor em Geografia pelo PGE-UEM - Programa de Pós-Graduação em Geografia, membro do GEUR - Grupo de Estudos Urbanos e do Observatório das Metrópoles - Núcleo R.M.M. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR Campus Avançado Astorga).
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