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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Entrevista à Radio Cincão FM - Londrina

Nesta entrevista, direcionada para o Processo Seletivo do Instituto Federal do Paraná - Campus Londrina, os professores Ricardo Töws e Reinaldo Nishikawa, resumidamente, explicaram as vantagens de se estudar em uma Escola Técnica Federal. A comunidade Londrinense ainda não possui amplo conhecimento do Instituto Federal, uma vez que foi criado, no Brasil, somente em 2008 e, em Londrina, as atividades tiveram gênese em 2010. 


Acesso à Entrevista: Clique Aqui.


Mais algumas informações importantes sobre os Institutos Federais, sua criação e seus objetivos:

Se observarmos as manifestações políticas e culturais das elites nacionais em nosso país, referentes a educação de todo o período do século vinte até os nossos dias, dificilmente encontraremos alguém que não defenda a centralidade e importância da formação educacional para conjunto da população. Apesar disto, até muito recentemente o entendimento da importância da educação para a vida nacional não passava de um ideal frequentemente inserido nos discursos das elites políticas, mas que nunca se concretizava de modo à levar o conhecimento, a cultura, as artes, a ciência e a técnica ao conjunto da população nacional. Assim já denunciava em 1947, por ocasião da discussão do capítulo de Educação e cultura da constituição do estado da Bahia: “sobre assunto algum se falou tanto no Brasil, e em nenhum outro, tão pouco se realizou. Não há, assim, como fugir à impressão penosa de nos estarmos a repetir”. (Saviani, D. 2009, pg. xxi).
Tal realidade, senão vista sob a luz do entendimento da centralidade das relações de poder na vida humana e da evolução das sociedades estratificadas em classes sociais, poderia nos parecer paradoxal, já que a população permaneceu ignara ao tempo em que os definidores das políticas públicas manifestavam suas visões a refletirem a centralidade do conhecimento, da cultura, da ciência, enfim, da educação.
Do mesmo modo, a estranheza poderia alimentar discursos hipócritas sustentados em sofismas, argumentando que independente disto o nosso país é hoje a sexta economia mundial. E não é raro identificar nos discursos das elites destinados às massas eleitoras a precedência da dimensão do homo economicus ao homem que, para além de produzir e consumir, em sua essência, possui uma dimensão moral, ética, estética, cultural, política, religiosa... que, dependendo dos seus graus de desenvolvimento podem, ou não, fazer da existência humana mais ou menos feliz.
        É ainda muito recente a identificação dos ideais discursivos das nossas elites políticas com ações e práticas no sentido de dar centralidade ao tema educacional, de modo a não só levar a escola até as comunidades, mas de levar as comunidades até as escolas, materializando o ideal expresso na Constituição de 1988, na Lei de Diretrízes e Bases da Educação de 1996, assim como nos úiltimos Planos Nacionais de Educação.
        É justamente neste contexto que nos últimos anos, com a chegada ao governo central de lideranças oriundas dos extratos populares da nação, as questões educacionais passam a ser prioridade, não apenas nos discursos, mas também nas ações governamentais com investimentos na ampliação e qualificação das suas estruturas físicas e de pessoal, de modo a acolher um universo a cada dia maior de estudantes, em melhores instalações e por tempo maior, nos espaços escolares públicos gratuitos e de qualidade, além de incentivar a inclusão e permanência das classes menos abastadas financeiramentes da população, com programas de financiamento e bolsas de estudo. Também foram implementadas políticas públicas de educação como o PROUNI - Programa Universidade Para Todos e o FIES - Programa de Financiamento Estudantil, entre outros.
        Sem minimizar a importância de um conjunto de outras políticas públicas educacionais colocadas em prática nos últimos anos pelo governo central, duas delas merecem menção especial, dado o alcance para a inclusão educacional da sociedade brasileira em estruturas republicanas, ou seja, escolas laicas, públicas, gratuits e de excelência.
A primeira política pública de educacão a que nos referimos é o REUNI – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expanção das Universidades Federais, que busca ampliar o acesso e a permanência na educação superior, que tem por metas dobrar o número de alunos nos cursos de graduação até 2018, ampliar a oferta de cursos noturnos, o aumento de estudantes por professor com a redução do custo por estudante, a flexibilização dos currículos e o combate a evasão.
A segunda política pública de educacão, e, quem sabe, a de maior alcance em termos de inovação e abrangência em todo o território nacional entre todas as políticas públicas educacionais dos últimos tempos, é a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.
A criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia dá visibilidade a uma convergência de fatores que traduzem a compreensão quanto ao papel da educação profissional e tecnológica no contexto social do Brasil e pode ser reconhecida como ação concreta das atuais políticas para a educação brasileira, com recorte especial para aquelas voltadas à educação profissional e tecnológica e à rede federal.
Com os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia cria-se um novo conceito de educação profissional e tecnológica, sem similar na história do nosso país em termos educacionais. Atualmente a rede conta com mais de meia centena de institutos/campus espalhados por todo o território nacional, além de várias unidades avançadas, atuando no Ensino Médio Profissional (50% das vagas), licenciaturas (20% das vagas) e cursos superiores de tecnologia ou bacharelados tecnológicos (30% das vagas), podendo ainda disponibilizar especializações, mestrados e doutorados profissionais.
Os institutos fundamentam-se na verticalização do ensino, onde os docentes devem atuar nos diferentes níveis do ensino com os discentes compartilhando os espaços pedagógicos, incluindo os laboratórios e procurando estabelecer itinerários formativos do curso técnico ao doutorado. Com uma estrutura multicampi e uma territorialidade definida, os Institutos Federais assumem um compromisso de intervenção em suas respectivas regiões, identificando problemas e criando soluções tecnológicas para o desenvolvimento sustentável, com inclusão social.
Os Institutos Federais foram formatados para se constituírem em espaços fundamentais na construção dos caminhos com vista ao desenvolvimento local e regional. Para tanto, devem ir além da compreensão da educação profissional e tecnológica como mera instrumentalizadora de mão de obra para o trabalho determinado por um mercado, mas sim devem agregar à formação acadêmica a preparação para o trabalho (sem deixar de firmar o seu sentido ontológico) e discutir os princípios e tecnologias a ele concernentes que darão os elementos essenciais para a definição de um propósito específico para a estrutura curricular da educação profissional e tecnológica: uma formação profissional e tecnológica contextualizada, repletos de conhecimentos, princípios e valores que potencializam a ação humana na busca de caminhos mais dignos de vida.
Os Institutos Federais foram criados para “derrubar as barreiras entre o ensino técnico e o científico, articulando trabalho, ciência e a cultura na perspectiva da emancipação. Sua orientação pedagógica deve recusar o conhecimento exclusivamente enciclopédico, assentando-se no pensamento analítico e na formação profissional mais abrangente e flexível voltada para o mundo do trabalho e menos para a formação de ofícios, em um profissionalizar-se mais amplo que abra infinitas possibilidades de reinventar-se no mundo e para o mundo, princípios estes válidos para as engenharias e licenciaturas. O desafio é o de construir uma instituição inovadora ousada com um futuro em aberto e capaz de ser um centro irradiador de boas práticas, articulando-se com as redes públicas de educação básica” (Eliezer Moreira Pacheco in: Os Institutos Federais: Uma Revolução na Educação Profissional e Tecnológica) .O foco dos institutos federais é a promoção da justiça social, da equidade, do desenvolvimento sustentável com vistas a inclusão social, bem como a busca de soluções técnicase geração de novas tecnologias. Estas instituições devemresponder, de forma ágil e eficaz, às demandas crescentes porformação profissional, por difusão de conhecimentos científicos e de suporte aos arranjos produtivos locais.
Assim, o IFPR/Londrina, orientado pelas diretrizes que viabilizaram a sua existência, deve focar-se na promoção da justiça social, na equidade, no desenvolvimento sustentável com vistas à inclusão social, bem como na busca de soluções técnicas e geração de novas tecnologias.
O IFPR/Londrina deve responder, de forma ágil e eficaz, às demandas crescentes por formação profissional na sua área de abrangência e pela difusão de conhecimentos científicos e de suporte ao arranjo produtivo local de Londrina, em especial nas áreas de saúde e de informática. O IFPR/Londrina foca a sua atuação nos níveis do ensino médio nas modalidades integrado e subsequente, e superior na tecnologia e licenciatura. Entretanto pode atuar em todos os níveis e modalidades da educação profissional, como previsto em lei e, com estreito compromisso com o desenvolvimento integral do cidadão trabalhador, devendo articular, em experiência institucional inovadora, todos os princípios fundamentais do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE): visão sistêmica da educação; articulação da educação com o ordenamento e o desenvolvimento territorial; aprofundamento do regime de cooperação entre as redes municipais, estadual e federal de ensino, em busca da qualidade e da equidade.
Em especial, esse arranjo educacional abre novas perspectivas para o ensino médio-técnico, por meio de uma combinação do ensino de ciências, humanidades e educação profissional e tecnológica. Na construção do projeto político pedagógico do IFPR/Londrina a orientação básica, visando o cumprimento da missão para o qual foram criados os institutos federais, serão incorporadas àquelas diretrizes que lhe deu a origem, ou seja:

a necessidade de atuar no ensino, na pesquisa e na extensão, compreendendo as especificidades destas dimensões e as inter-relações que caracterizam sua indissociabilidade; a compreensão da pesquisa ancorada nos princípios científico - que se consolida na construção da ciência e desenvolvimento da tecnologia - e no educativo - que diz respeito à atitude de questionamento diante da realidade -, entendendo-a como essencial para a construção da autonomia intelectual e, portanto, potencializadora de uma educação que possibilita ao sujeito o desenvolvimento de sua capacidade de gerar conhecimentos a partir de uma prática interativa com a realidade; a concepção das atividades de extensão como forma de diálogo permanente e mais amplo com a sociedade; a compreensão de que o conhecimento deve ser tratado em sua completude, nas diferentes dimensões da vida humana, integrando ciência, tecnologia, cultura e conhecimentos específicos inclusive nas propostas pedagógicas dos cursos de graduação  e pós-graduação na perspectiva de ultrapassar o rígido limite traçado pelas disciplinas convencionais; o reconhecimento da precedência da formação humana e cidadã, sem a qual a qualificação para o exercício profissional não promove transformações significativas para o trabalhador e para o desenvolvimento social; a necessidade de assegurar aos sujeitos as condições de interpretar a sociedade e exercer sua cidadania, na perspectiva de um país fundado na justiça, na equidade e na solidariedade; a organização de itinerários formativos que permitan o diálogo entre os diferentes cursos da educação profissional e tecnológica (formação inicial e continuada, técnica de nível médio e de graduação e pós-graduação tecnológica), ampliando as possibilidades de formação vertical (elevação de escolaridade) e horizontalmente (formação continuada); a sintonia dos currículos com as demandas sociais, econômicas e culturais locais, permeando-os das questões de diversidade cultural e de preservação ambiental, pautada na ética da responsabilidade e do cuidado; o reconhecimento do trabalho como experiência humana primeira, organizadora do processo educativo.
Fonte: PPP - Câmpus Londrina. Texto de Amir Limana e Ricardo Töws
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Ricardo Luiz Töws

Doutor em Geografia pelo PGE-UEM - Programa de Pós-Graduação em Geografia, membro do GEUR - Grupo de Estudos Urbanos e do Observatório das Metrópoles - Núcleo R.M.M. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR Campus Avançado Astorga).
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