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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Contas Regionais: Cinco estados concentram 65,2% do PIB em 2011

O grupo formado por São Paulo (32,6%), Rio de Janeiro (11,2%), Minas Gerais (9,3%), Rio Grande do Sul (6,4%) e Paraná (5,8%) concentrava 65,2% do PIB em 2011, 2,8 p.p. a menos que em 2002 (68,0%). Já os dez estados com menores participações somaram 5,3%, enquanto os outros 12 estados passaram de 27,1% para 29,5% no período, o maior crescimento entre os três grupos.
Embora a região Sudeste tenha mantido sua participação de 55,4% no PIB brasileiro na comparação entre 2010 e 2011, houve uma redistribuição da participação entre os quatro estados da região. São Paulo, que permanece em primeiro lugar no ranking, perdeu cerca de 0,5 ponto percentual (p.p.) ao passar de 33,1% para 32,6% no período, registrando a menor participação na série iniciada em 2002. Com isso, Rio de Janeiro ganhou 0,4 p.p. (de 10,8% para 11,2%) e Espírito Santo, 0,2 p.p. (de 2,2% para 2,4%). Minas Gerais se manteve com 9,3%. As regiões Norte (de 5,3% para 5,4%) e Centro-Oeste (de 9,3% para 9,6%) cresceram, enquanto Sul (de 16,5% para 16,2%) e Nordeste (de 13,5% para 13,4%) diminuíram suas participações no PIB brasileiro em 2011. Já na série histórica iniciada em 2002, Centro-Oeste avançou 0,8 p.p. no período, Norte, 0,7 p.p. e Nordeste, 0,4 p.p.
Estas e outras informações são mostradas pela pesquisa Contas Regionais do Brasil de 2011, que este ano divulga resultados provisórios, cuja atualização será feita de acordo com a revisão do Sistema de Contas Nacionais. Para os resultados de 2011, o ajuste das contas regionais às contas nacionais ocorreu com a agregação das informações das contas trimestrais brasileiras, que divulgam o PIB trimestral em 12 atividades apenas, contra 56 das contas nacionais definitivas. Até 2015, o IBGE divulgará a série do Sistema de Contas Nacionais do Brasil referente a 2010 (atualmente, o ano de referência é 2000), com os resultados detalhados para 2010, 2011 e 2012, além da revisão dos resultados do período 1995-2009.
Todos os resultados das Contas Regionais podem ser acessados pelo linkhttp://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/contasregionais/2011/default.shtm.
Indústria de transformação gera perda de participação de SP no PIB
Respondendo por 55,4% de participação no PIB nacional em 2011, o Sudeste manteve-se no mesmo patamar de 2010, embora tenha havido uma redistribuição entre a representação dos estados da região. São Paulo passou de 33,1% em 2010 para 32,6% em 2011. Isso ocorreu porque a indústria de transformação brasileira atingiu, em 2011, sua menor participação na série (14,6% contra 16,2% em 2010). Com isso, o estado teve perda de representatividade da indústria de transformação de 42,0% para 41,8%. Também houve queda na participação do comércio (-0,4 p.p.) e da produção e distribuição de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (– 3,6 p.p.). Já o Rio de Janeiro respondeu por 11,2% do PIB em 2011, um ganho de 0,4 p.p. em relação a 2010, resultado influenciado pela elevação do preço médio do petróleo, conferindo aumento da participação de 35,3% para 39,8% da atividade da indústria extrativa fluminense, o que aumentou o peso na economia do estado de 9,8% para 14,5%.
O ganho de participação do Espírito Santo de 2,2% em 2010 para 2,4% em 2011 relaciona-se ao aumento de 0,4 p.p. do setor industrial do estado, passando de 2,7% em 2010 para 3,1% em 2011. A indústria extrativa foi impulsionada pela produção comercial de petróleo na camada pré-sal no litoral sul do estado. Já a indústria de transformação teve ganho de participação nas atividades de celulose e produção de papel e de fabricação de aço e derivados. Minas Gerais permaneceu com a mesma participação de 2010 (9,3%), uma vez que a indústria extrativa, que tem no minério de ferro seu principal produto, perdeu participação relativa no Brasil em função do ganho de representatividade dos estados produtores de petróleo.
Região Sul perde 0,3 ponto percentual de participação no PIB
A região Sul, com participação de 16,2% no PIB, teve sua representação reduzida em 0,3 p.p. entre 2010 e 2011. O Rio Grande do Sul passou de 6,7% em 2010 para 6,4% em 2011. Santa Catarina ganhou 0,1 p.p., ficando com 4,1%, e Paraná manteve o mesmo patamar de 2010, 5,8%. O desempenho do Rio Grande do Sul foi influenciado pela perda de participação da agropecuária, da indústria de transformação e do comércio no total Brasil. A perda de participação da agropecuária de 11,1% em 2010 para 10,9% em 2011 decorreu da queda de cerca de 30% no preço do arroz em casca, pressionado pela safra recorde em 2011 somada ao estoque de passagem. A indústria de transformação também perdeu participação de 8,9% em 2010 para 8,4% em 2011, em função da redução da atividade de refino de petróleo e coque, em virtude da elevação dos preços do petróleo, seu principal insumo.
A região Norte, com 5,4% do PIB em 2011, avançou 0,1 p.p. de participação entre 2010 e 2011. O ganho de participação da região ficou por conta do avanço de Rondônia, de 0,6% em 2010 para 0,7% em 2011, influenciado pelo impacto da construção das hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio no rio Madeira. Tocantins recuou cerca de 0,1 p.p., tendo alcançado a participação de 0,4% em 2011. Houve queda de participação da atividade de construção civil de 1,3% em 2010 para 0,7% em 2011, visto que a partir do ano de 2007 grandes obras entraram em ritmo de conclusão. Os demais estados mantiveram a participação alcançada em 2010.
A região Nordeste reduziu sua participação em 0,1 p.p. em 2011, representando 13,4% do PIB. Dos estados nordestinos, apenas Maranhão, Paraíba e Bahia alteraram suas participações no PIB brasileiro. Maranhão (1,3%) e Paraíba (0,9%) avançaram cada um cerca de 0,1 p.p.. A Bahia perdeu 0,2 p.p. entre 2010 e 2011, passando de 4,1% para 3,9%. A indústria de transformação baiana perdeu participação (de 4,1% em 2010 para 2,8% em 2011), pois houve redução de refino de petróleo e coque. A agropecuária passou de 5,7% em 2010 para 5,4% em 2011, em função da queda na produção de milho (estiagem) e da participação da criação de aves.
Já a região Centro-Oeste avançou 0,3 p.p. em 2011, restabelecendo o nível de 2009 (9,6%). Goiás e Mato Grosso foram os estados que mais contribuíram para este ganho de participação. Goiás passou de 2,6% para 2,7% do PIB nacional em 2011, ganho de participação relacionado ao desempenho da indústria de transformação, que saiu de 2,3% em 2010 para 2,6% em 2011, em virtude da expansão de alimentos de bebidas, tintas e vernizes, cimento e automóveis, camionetas e utilitário, além dos serviços de comércio e transportes. Mato Grosso, com 1,7% do PIB em 2011, ampliou participação em 0,1 p.p. em relação a 2010. Este ganho está relacionado à expansão da agropecuária, que passou de 6,9% em 2010 para 8,0% em 2011, influenciada pelo aumento do preço do milho e pelo aumento da produção de soja, cuja produção cresceu 10,7%, enquanto o preço teve alta de 36,9%. A indústria de transformação e o comércio também contribuíram para o aumento da participação do PIB. Distrito Federal (4,0%) e Mato Grosso do Sul (1,2%) mantiveram a participação de 2010.
Grupo dos cinco estados com maior participação no PIB perde 2,8 p.p. desde 2002
São Paulo (32,6%), Rio de Janeiro (11,2%), Minas Gerais (9,3%), Rio Grande do Sul (6,4%) e Paraná (5,8%) concentravam 65,2% do PIB em 2011, 2,8 p.p. a menos que em 2002 (68,0%). Já os dez estados com menores participações somaram 5,3% em 2011: Rio Grande do Norte (0,9%); Paraíba (0,9%); Alagoas (0,7%); Rondônia (0,7%); Sergipe (0,6%); Piauí (0,6%); Tocantins (0,4%); e Amapá, Acre e Roraima, com aproximadamente 0,2% cada. Este grupo ganhou cerca de 0,4 p.p. de participação em relação a 2002, passando de 5,0% para 5,3%.
O grupo intermediário, formado pelos outros 12 estados, todos com participação entre 4,1% e 1,2% em 2011, foi o que mais cresceu na série 2002-2011, saindo de 27,1% em 2002 para 29,5%, um ganho de 2,4 p.p. de participação no período. Neste grupo estão Santa Catarina, Distrito Federal, Bahia, Goiás, Pernambuco, Espírito Santo, Pará, Ceará, Mato Grosso, Amazonas, Maranhão e Mato grosso do Sul. Espírito Santo (0,5 p.p.) e Pará (0,4 p.p.) foram os que mais avançaram.
PIB per capita do DF é três vezes maior que o nacional e o dobro do de SP
Em 2011, oito estados (Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná) apresentaram PIB per capita acima da média brasileira (R$ 21.535,65). O Distrito Federal, com o maior PIB per capita brasileiro, R$ 63.020,02, representou quase três vezes a média brasileira e quase o dobro da registrada em São Paulo (R$ 32.449,06), o segundo maior do país. Entre os estados com PIB per capita menor, encontram-se Maranhão (R$ 7.852,71) e Piauí (R$ 7.835,75), que foram cerca de 36% do brasileiro.

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Ricardo Luiz Töws

Doutor em Geografia pelo PGE-UEM - Programa de Pós-Graduação em Geografia, membro do GEUR - Grupo de Estudos Urbanos e do Observatório das Metrópoles - Núcleo R.M.M. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR Campus Avançado Astorga).
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