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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Geógrafo da FFLCH alerta sobre noção equivocada de “falta de água” (No Site da USP)

Publicado em EntrevistaMeio ambienteUSP Online Destaque por  em 


A população da Região Metropolitana de São Paulo convive há meses com a perspectiva da falta de água. De fato, muitos bairros já relataram episódios de torneiras secas e a preocupação em relação às chuvas na região ainda é presente no cotidiano dos paulistanos. O que um professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP vem tentando esclarecer, no entanto, é que falar em escassez hídrica é um erro, assim como culpar a falta de chuvas pela crise.
A água não é um recurso finito – pelo contrário, trata-se do recurso mais abundante do planeta, lembra Luis Antonio Bittar Venturi, do Departamento de Geografia. Entre 2010 e 2011, o geógrafo esteve na Síria desenvolvendo um pós-doutorado na Universidade de Damasco sobre recursos hídricos, com foco na bacia do rio Eufrates e na produção de água em usinas dessalinizadoras. Retornando ao Brasil, deu continuidade às pesquisas, o que resultou em sua tese de livre-docência defendida na USP. Estes estudos, conta, foram voltados a combater a ideia de que a água vai acabar e de que países poderão guerrear por ela.
Nesta conversa com o professor, ele expõe sua visão contundente sobre a questão da água no Brasil e no mundo e propõe uma revisão de conceitos.
O senhor afirma que não é possível falar em fim da água. Mesmo se considerarmos apenas as reservas de água doce, não estamos em uma situação preocupante?
Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal
Luis Venturi: Não podemos considerar apenas a água doce, destacada do ciclo hidrológico, já que ela advém, na quase totalidade, dos oceanos via evaporação e precipitação. Assim, enquanto a terra girar, o sol brilhar e a lei da gravidade estiver “vigorando”, as recargas de água nos continentes estarão asseguradas. Não há como interromper o ciclo hidrológico. E o que existe de água doce disponível na superfície e nos subsolos é muito mais do que a capacidade humana de utilizá-la. Só os cerca de 110 km³ de água que precipitam nos continentes anualmente já seriam suficientes para abastecer a humanidade. No Nordeste, o programa de cisternas usa apenas água da chuva para sustentar, com uma cisterna de 16 mil litros, uma família de cinco pessoas por oito meses. O que é finita é a capacidade do homem de captar, tratar e distribuir a água para assegurar o abastecimento. É absurdo dizer que a crise hídrica de São Paulo é causada pela falta de chuva, sendo que temos enormes reservatórios subutilizados. Como uma metrópole como São Paulo, com a pujança econômica que tem e toda a tecnologia disponível, fica a mercê da chuva, como se fôssemos povos primitivos?
Como uma metrópole como São Paulo, com a pujança econômica que tem e toda a tecnologia disponível, fica a mercê da chuva, como se fôssemos povos primitivos?
Na sua visão, então, o que provocou a crise?
LV: Ocorreram dois problemas, ambos de caráter gerencial: poluiu-se os recursos hídricos disponíveis e não se desenvolveu capacidade técnica para despoluir numa velocidade suficiente para atender à demanda. Imagine um estrangeiro sobrevoando São Paulo. Ele vai ver diversas represas e diversos rios como Tietê, Pinheiros, Tamanduateí… Ele simplesmente não vai entender como se fala em falta de água em São Paulo. Apenas a represa Biliings teria água suficiente para abastecer mais de 4 milhões de pessoas, mas é subutilizada pois está poluída. A crise hídrica, ou seja, quando se abre a torneira e não sai água, é sempre gerencial, e não natural. Há exemplos de países com muito menos recursos hídricos que o Brasil onde não falta água, como na própria Síria.
As represas do sistema Cantareira estão secando porque se tem usado sua água num ritmo muito maior do que o das recargas naturais. Se os seis sistemas fossem mais equilibrados em termos de oferta e demanda de água, isso não ocorreria. É o que se está tentando fazer agora: aumentar a capacidade de uns sistemas para “desafogar” os outros, sobre os quais há grande pressão de demanda. Aí a mídia mostra represas secando para ilustrar a ideia de que a água vai acabar. Pode até acabar na sua torneira, mas não por falta dela, e sim por incapacidade de se assegurar o abastecimento. Essa ideia de fim da água é muito malthusiana e é obrigação da academia superar o senso comum fatalista e tão fortemente difundido pela mídia.
A mídia mostra represas secando para ilustrar a ideia de que a água vai acabar. Pode até acabar na sua torneira, mas não por falta dela, e sim por incapacidade de se assegurar o abastecimento.
Foto: Arquivo pessoal
Professor Luis Venturi, no rio Eufrates, próximo à fronteira com o Iraque: “não se pode educar pelo medo, propagando uma visão fatalista”
Foto: Arquivo pessoal

Como foi sua experiência durante o período que esteve na Síria?
LV: Minha pesquisa lá teve dois focos: a bacia do rio Eufrates, compartilhada pela Turquia, Síria e Iraque, e a produção de água por dessalinização da água do mar, cuja tecnologia é compartilhada pelos países da Península Arábica, especialmente. Em ambos casos, não há crise nem conflitos. Por um lado, os tratados de cooperação sempre asseguraram o compartilhamento do Eufrates e os países banhados nunca guerrearam por água. Já no contexto da Península Arábica, as fontes naturais de água são tão escassas que não há o que ser disputado. Pelo contrário: aqueles países (Emirados Árabes, Omã, Arábia Saudita, Qatar, Bahrein e Kuwait) produzem água potável dessalinizando a água do mar, e compartilham essa tecnologia por instituições como o MEDRC (Middle East Dessalination Research Center), sediado em Muscate. Atualmente, já existe no mundo usinas de dessalinização movidas a energia eólica, como em Perth, na Austrália. Oras, se juntarmos um recurso inesgotável com uma energia inesgotável, temos que revisar os conceitos. Em suma, não há base empírica nem conceitual que sustente a hipótese da guerra da água, por mais que a mídia e muitas vozes reforcem essa perspectiva malthusiana.
Foto: Arquivo pessoal
Península Arábica: as fontes naturais de água são tão escassas que se produz água potável dessalinizando a água do mar. Na foto, Orla de Muskat, em Omã
Foto: Arquivo pessoal

A dessalinização da água é uma alternativa vantajosa para o Brasil?
LV: O Brasil dispõe das maiores reservas superficiais e subsuperficiais de água doce (Bacias Amazônica e do Paraná; aquífero Alter do Chão e Guarani). Mesmo assim, a região Norte, de maior disponibilidade hídrica do mundo, é a região do Brasil onde se tem menos acesso à água potável no Brasil, segundo a Agência Nacional de Águas. Deste modo, questões gerenciais são mais urgentes do que a introdução de novas tecnologias. E, por vezes, tecnologias mais simples, como cisternas e transposições, podem causar um impacto social positivo muito grande. De qualquer modo, o desenvolvimento de membranas filtrantes podem ser muito úteis na despoluição da água (o que já se tem anunciado), muito mais do que em dessalinização. A dessalinização pode ser útil também no Nordeste, onde as reservas naturais apresentam alta salinidade. Já vi estudos que mostram a viabilidade do uso de dessalinizadores domésticos movidos à energia solar, o que é adequado para aquela região.
Sobre a necessidade de revisar conceitos, o que o senhor acredita que deveria ser mudado?
LV: É incorreto classificar a água como um recurso renovável, como muitos livros didáticos de Geografia ainda fazem. Recurso renovável é aquele que, ao ser utilizado, tem a capacidade de se recuperar seus estoques por mecanismos naturais, como no caso das florestas. Este conceito não se adéqua à água, já que as suas quantidades são estáveis no Planeta. A molécula de água não se destrói com o uso e sempre acaba voltando para o sistema, ainda que em outro estado, de modo que sempre apenas “emprestamos” água do ciclo hidrológico. Só que ao mesmo tempo em que os livros didáticos classificam a água como renovável, fala-se que se trata de um recurso finito, o que é um contrassenso. Aqui mesmo na USP há uma campanha de ótimas intenções para o uso racional da água, mas que pecou quando afirmou que água é um “recurso finito”, quando o correto seria dizer: “captar, tratar e distribuir água é caro: economize”, ou então: “a capacidade da sociedade de tratar e distribuir água é finita: economize”.
Finalmente, pouco se fala em desperdício qualitativo, mas apenas no quantitativo. No âmbito doméstico, como não se recebe água de reúso, a mesma água que se bebe se usa para dar a descarga, por exemplo. Cerca de metade dos usos domésticos de água não necessitam de água potável. Vejam que a questão dos recursos hídricos é muito mais complexa dos que os reducionismos difundidos pela mídia.
Foto: Arquivo pessoal
Represa de Al-Assad, a maior da Síria, no médio Eufrates
Foto: Arquivo pessoal

Falar sobre a inesgotabilidade da água não pode acabar estimulando o uso irracional deste recurso?
LV: Sempre que sou convidado a falar em escolas e faculdades alguém me pergunta isso, se não é perigoso afirmar que a água é infinita. Mas não se pode educar pelo medo, propagando uma visão fatalista. É uma obrigação da academia superar o senso comum. As pessoas têm que conhecer, sim, os riscos de ficarem sem água e, se isso acontecer, ter consciência das reais razões deste fato, do papel de cada um, inclusive delas mesmas pelo uso racional.
Mais informações: email luisgeo@usp.br

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Campus Astorga quase Pronto...

Escola de Música da UEM abre inscrições para curso preparatório...

Mais informações em http://sites.uem.br/emu

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Livro: O Gene Egoísta - Richard Dawkins

Para acessar, clique na imagem ou aqui.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Charge do Dia

Pra comemorar?

RANKING DO RESULTADO DO ENEM 2014 POR CÂMPUS DOS INSTITUTOS FEDERAIS NO BRASIL

Resultado do Enem 2014 foi divulgado pelo INEP e, dentro do cenário, destacamos o ranking dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia que estão no Ranking. Lembramos que exitem mais de 560 campus dos Institutos Federais no Brasil, porém, acreditamos que boa parte são novas estruturas, então apenas 254 estão na listagem. Portanto compilamos a listagem dos Institutos Federais e criamos o ranking apenas dos Institutos (Clique Aqui para acessar). Para ter acesso à listagem geral, clique aqui

Campus Vitória do IF-Espírito Santo


Acreditamos que esta variável não deve ser a única considerável para avaliar a qualidade de cada campus bem como visualizamos que os campus no topo do Ranking possuem estudantes com indicador socioeconômico alto ou muito alto, possibilitando interpretarmos que o problema está na forma de ingresso, possivelmente meritocrática, rompendo com os princípios de criação dos Institutos Federais, que devem priorizar a inclusão social. Logo, acreditamos que o modelo de ingresso e acesso à escola devem ser mudados nestes casos, para atender a legislação de criação de Rede Federal.  

Ademais, muitos institutos não estão bem no Ranking, mas cumprem a função para que foram criados, de levar a educação para os rincões do país e para quem mais precisa, com professores altamente qualificados e infraestrutura condizente às necessidades dos arranjos produtivos locais e regionais. 


Leia Mais:

No caso do Campus Londrina, onde ainda trabalhamos, menos de 20% dos estudantes fizeram a prova e, apesar de a mídia londrinense divulgar que a melhor escola pública de Londrina é o Colégio Estadual Nilton Guimarães, na verdade há falhas nas reportagens, uma vez que o Campus Londrina do IFPR teve a melhor nota e está mais bem posicionado no Ranking entre as escolas públicas da cidade. 

Fonte dos dados: INEP



terça-feira, 4 de agosto de 2015

CNPq lança Concurso de Fotografia: V Prêmio Fotografia, Ciência & Arte! Participe!

Prêmio de Fotografia - Ciência & Arte tem como objetivos fomentar a produção de imagens com a temática de Ciência, Tecnologia e Inovação, contribuir com a divulgação e a popularização da ciência e tecnologia e ampliar o banco de imagens do CNPq.
Foi concebido em 2011, como um marco para a criação do acervo de imagens relativas à produção e à criação técnica e cientifica brasileira.
O prêmio revela talentos e traz uma tendência relativamente recente no âmbito acadêmico cientifico mundial de associar as tecnologias tradicionais e inovações eletrônico-digitais à produção de imagens com temas sobre a pesquisa científica, tanto quanto objeto como produto de estudos e análises fundamentados na ciência.
Nas quatro edições realizadas o Prêmio recebeu 3.918 inscrições. Foram premiados 43 trabalhos, oriundos de todas as regiões do país, notadamente, 30 da sudeste, 7 da sul, 2 da centro-oeste, 2 da nordeste e 1 do norte.
O Prêmio pretende consolidar o objetivo de promover a popularização e a divulgação científica e tecnológica, mediante o uso e incentivo da produção de imagens no ambiente de pesquisa no Brasil.
Mais informações no site: http://www.premiofotografia.cnpq.br/

segunda-feira, 27 de julho de 2015

UEM aceita, até esta terça-feira, inscrição para professor temporário


A Universidade Estadual de Maringá aceita, até esta terça-feira (28), inscrição para o Teste Seletivo que irá contratar professor temporário. Foram ofertadas nove vagas, distribuídas entre as áreas Exatas, Humanas, Letras e Artes, Saúde e Tecnológica. As inscrições serão recebidas no Protocolo Geral da UEM, localizado no Bloco A-01, no câmpus sede,  nos seguintes horários: das 7h40 às 11 horas e das 
13h30 às 16 horas.
A inscrição e os documentos podem ser encaminhados via correio, postados para: Universidade Estadual de Maringá - A/C Protocolo Geral - Av. Colombo nº 5.790, Zona Sete - Maringá – PR - CEP: 87020-900. No envelope também deve constar a informação: “Teste Seletivo para Professor Temporário - Edital nº 69/2015-PRH”.
Os salários dos aprovados variam de R$ 1.323,08 a R$ 6.692,02, conforme a carga horária e a titulação do candidato. Para outras informações acesse o edital que regulamenta o teste. Informações também pelo fone 44 3011-4233 ou ainda pelo e-mail: concurso@uem.br.

Fonte: www.uem.br 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

As incríveis ‘pinturas fotográficas’ celestes feitas com sobreposição temporal de Matt Molloy

Time-stack é uma técnica de composição fotográfica caracterizada pela sobreposição de imagens em sequência temporal para marcar a movimentação de um determinado objeto, ou objetos, em uma única imagem. Muito utilizada, por exemplo, para ilustrar a passagem do sol ou da lua no firmamento. Só que o fotógrafo canadense Matt Molloy foi muito mais além. Utilizou centenas e centenas de imagens em cada composição para criar imagens belíssimas do céu que mais parecem pinturas de tão incríveis. O resultado é uma espécie de mistura de timelapse com longa exposição, confira:
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
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Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
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Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
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Time-Stacked Skies © Matt Molloy
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Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Time-Stacked Skies © Matt Molloy
Fonte: Stuffhood

Para ver a produção completa de Matt Molloy, clique aqui

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