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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

PARAÍSO DO TUIUTI É A CAMPEÃ DO POVO

Hoje vou falar do Carnaval. É sabido que é uma festa que conseguiu suplantar as forças do Império Romano, em termos de imposição religiosa (foi incorporado pelo Cristianismo) e resistiu no tempo, ganhando cada vez mais força como festa do povo. É a festa da expressão cultural. Mais do que isso, antropologicamente, é visto como um ritual de reversão, em que as normas de comportamento são suspensas, ou seja, ocorre a subversão dos papeis sociais. Poderia historicizar um pouco sobre as festas de Ísis (Egito), Sortes (Hebreus), Bacanais (Gregos), as Saturnais (Roma Antiga), dentre outras. Mas vou concentrar no nosso caso, pois a reflexão será pautada neste evento específico de 2018. No Brasil, iniciou-se ainda no Brasil Colonial, inicialmente com influência das festas portuguesas e, na sequencia, foi ganhando traços do povo brasileiro que, de fato, estava se formando. Houve uma intrínseca correlação com a música, sobretudo o samba, frevo, maracatu, marchinhas e outros gêneros. Muitos enredos, neste processo, foram elaborados em consonância com as características de um povo ou de uma comunidade, nem sempre manifestando a reversão ou a subversão, mas exatamente a realidade. Mas em nenhuma ocasião, houve tão clara clivagem de representação ideológica, em que um grupo, Beija-Flor, tentou representar a realidade brasileira, mas montou seu enredo com base em narrativas conservadoras e patrimonialistas e outro grupo, Paraíso de Tuiuti, demonstrou, de fato, o que está ocorrendo no país frente ao golpe jurídico-midiático-parlamentar. Mais do que isso, escancarou ao mundo nossas mazelas herdadas da casa-grande e da senzala. De um lado, a mídia dominante e manipuladora já cravou o resultado antes da somatória dos pontos. Não vou entrar no mérito do julgamento, pois desconheço os trâmites, mas quero evidenciar que Tuiuti conseguiu um posto que jamais tinha conseguido, que é o segundo lugar no julgamento. Beija-Flor representou a ideia de que tudo o que estamos vivenciando e a desigualdade é fruto da corrupção. Tem uma parcela de verdade, pois sabemos quanto de recurso é mal gerido ou desviado e quanto o país poderia ter uma posição mais privilegiada se não tivéssemos esse câncer por aqui. Mas é uma análise absurdamente limitada, pois é preciso dizer mais. É preciso dizer que há problemas estruturais, de dominação e de manutenção desse establishment. Não dá pra ficar enaltecendo um judiciário que é, na essência, parcial e tendencioso. Não dá pra fazer a negação da política e, subliminarmente, endeusar o mercado, quando sabemos que os problemas residem no mercado, no sistema produtivo, na má distribuição de renda e no desenvolvimento geográfico desigual. Tivemos que ver Paraíso do Tuiuti demonstrar ao mundo o que a mídia  esconde por aqui. Conseguiram colocar uma "cebola cortada ao meio e sem lavar" na garganta dos comentaristas da Rede Globo, que emudeceram e viram as máscaras que eles escondem implodirem. Demonstraram ao mundo que uma classe média, inundada de almofadinhas e oportunistas, é reacionária frente às possibilidades de um país melhor para todos e, por isso, viraram "manifestoches" e foram às ruas atender os pedidos da emissora de TV de retirar uma presidenta honesta e, em seu lugar, colocar um traidor, golpista e, como demonstrou a escola de samba, o "presidente neoliberal". Sim, aquele que tem por pauta de governo o projeto perdedor nas urnas, que entrega o país aos ditames do capital internacional e sufoca o povo com políticas de austeridade. Em outras palavras, que faz o povo pagar a conta via cortes de direitos e dá privilégios aos investidores e ruralistas. Muito mais do que isto, Paraíso do Tuiuti demonstrou que ainda continuamos subservientes, que a escravidão ainda está aqui e que a alienação social tomou conta dos fantoches de sempre. Por isso, a atitude dessa escola deve ser enaltecida por muito tempo. Como estão dizendo nas redes, é a campeã eterna do povo de 2018 em diante. É campeã pois conseguiu mostrar para o mundo nossa aberração. Conseguiu dizer aquilo que os blogueiros não conseguem, não por serem incompetentes, mas sim em virtude dos bloqueios e redirecionamentos nas redes e, mais do que isso, uma vez que para os manifestoches não adianta escrever textões, pois são analfabetos funcionais. Em outros termos, não lêem! Se lerem não entendem! É preciso ilustrar, na prática mesmo, com imagens e objetos, quem sabe assim conseguem compreender como suas atitudes afetam negativamente nosso país.  Já sei que ocorrerão todas as possíveis e impossíveis tentativas para emudecer e esconder esse feito. Cabe a nós, que queremos um país mais justo, continuarmos falando e divulgando sobre isso "ad nauseum". Urge fazermos mais disso, espelhados e inspirados por Tuiuti, que demonstrou que, com coragem, é possível fazer. Quem sabe assim, emplacamos alguma consciência e transformamos a letargia de um povo em pistas não apenas representativas, mas reais de luta e mobilização por direitos. 

Fonte da imagem: https://goo.gl/pV5tYd

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

COMPORTAMENTOS DO POVO BRASILEIRO SOBRE O CASO LULA

O dia 24 de janeiro entrou para a história em virtude daquilo que, por convenção, foi denominado julgamento de segunda instância do ex-presidente Lula. Tive a oportunidade de acompanhar a maior parte do evento e ouvir as enfadonhas leituras dos 3 desembargadores para, em um segundo momento, tecer considerações. Apesar de já saber exatamente qual seria o resultado, fiquei o tempo todo tentando entender e captar os argumentos, que digo de passagem, nada acrescentou do que já tinha ouvido em uma polifonia que extrapolou em muito o ambiente judiciário. Naquele instante pensei em escrever, mas segurei, na expectativa de ver as manifestações dos amigos e oponentes nas redes sociais. Oportunamente identifiquei alguns comportamentos e, ao invés de partir para o embate, preferi entrar na minha biblioteca e sacar das prateleiras o livro do Darcy Ribeiro, denominado "O povo brasileiro". Fui relendo algumas páginas e consegui sincronizar os comportamentos visualizados nas redes com aqueles descritos no livro. Portanto, já adentro diretamente no trecho. Darcy Ribeiro afirmou que


"Nossa tipologia das classes sociais vê na cúpula dois corpos conflitantes,mas mutuamente complementares. O patronato de empresários, cujo poder vem da riqueza através da exploração econômica; e patriciado, cujo mando decorre do desempenho de cargos, tal como o general, o deputado, o bispo, o líder sindical e tantíssimos outros. Naturalmente, cada patrício enriquecido quer ser patrão e cada patrão aspira às glórias de um mandato que lhe dê, além de riqueza, o poder de determinar o destino alheio. Nas últimas décadas surgiu e se expandiu um corpo estranho nessa cúpula. É o estamento gerencial das empresas estrangeiras, que passou a constituir o setor predominante das classes dominantes. Ele emprega os tecnocratas mais competentes e controla a mídia, conformando a opinião pública. Ele elege parlamentares e governantes. Ele manda, enfim, com desfaçatez cada vez mais desabrida. Abaixo dessa cúpula ficam as classes intermediárias, feitas de pequenos oficiais, profissionais liberais, policiais, professores, o baixo‐clero e similares. Todos eles propensos a prestar homenagem às classes dominantes, procurando tirar disso alguma vantagem. Dentro dessa classe, entre o clero e os raros intelectuais, é que surgiram os mais subversivos em rebeldia contra a ordem. A insurgência mesmo foi encarnada por gente de seus estratos mais baixos. Por isso mesmo mais padres foram enforcados que qualquer outra categoria de gente. Seguem‐se as classes subalternas, formadas por um bolsão da aristocracia operária, que têm empregos estáveis, sobretudo os trabalhadores especializados, e por outro bolsão que é formado por pequenos proprietários, arrendatários, gerentes de grandes propriedades rurais etc. Abaixo desses bolsões, formando a linha mais ampla do losango das classes sociais brasileiras, fica a grande massa das classes oprimidas dos chamados marginais, principalmente negros e mulatos, moradores das favelas e periferias da cidade. São os enxadeiros, os bóias‐frias, os empregados na limpeza, as empregadas domésticas, as pequenas prostitutas, quase todos analfabetos e incapazes de organizar‐se para reivindicar. Seu desígnio histórico é entrar no sistema, o que sendo impraticável, os situa na condição da classe intrinsecamente oprimida, cuja luta terá de ser a de romper com a estrutura de classes. Desfazer a sociedade para refazê‐la. Essa estrutura de classes engloba e organiza todo o povo, operando como um sistema autoperpetuante da ordem social vigente. Seu comando natural são as classes dominantes. Seus setores mais dinâmicos são as classes intermédias. Seu núcleo mais combativo, as classes subalternas.E seu componente majoritário são as classes oprimidas, só capazes de explosões catárticas ou de expressão indireta de sua revolta. Geralmente estão resignadas com seu destino, apesar da miserabilidade em que vivem, e por sua incapacidade de organizar‐se e enfrentar os donos do poder".

A partir dessa profícua abordagem e caracterização das classes sociais e seu comportamento, comecei a vasculhar as opiniões nas redes sociais. A despeito da canalização realizada pelos algoritmos e direcionamento das respectivas redes, é só realizar um pequeno voo nas páginas dos diversos segmentos e observar os comportamentos. É importante advertir que tal análise não dá conta de uma explicação racional e precisa, mas norteia, de alguma forma, como as pessoas se manifestam frente a temas complexos e de grande importância nacional. O caso do pseudojulgamento foi um deles, o que viabilizou nossa análise. Dito isso, em termos metodológicos, partimos para a análise:

- A classe dominante e o estamento gerencial, chamada por ele como patronato, aquela própria que detém o poder político e econômico é a causadora de toda a tragédia. Apesar de não estar nas redes sociais vociferando suas intenções, pois para isso utilizam-se dos fantoches, é evidente seu papel de  viabilizador da "ponte para o futuro", que incluiu um golpe de Estado, a retirada de direitos dos trabalhadores via reformas bem como a perseguição a qualquer um que ousar manifestar-se como defensor da classe trabalhadora, tanto que querem prender seu principal líder na base do espetáculo. Ou seja, tudo permanece na mais perfeita ordem já reiteradamente demonstrada pela História.

- A classe do patriciado: há uma simbiose entre o patriciado, sobretudo aquele que conseguiu se ascender e a própria classe dominante. A despeito de serem diferentes, em termos de classes, o patrício acabou tomando os espaços das instituições e, com isso, realiza ações que vão ao encontro das classes dominantes, quando não fazem parte. Portanto, foram os próprios realizadores do golpe, uma vez que estão vinculados ao poder político e econômico. Todos tem páginas sociais e vociferam como se fizessem a coisa mais certa do mundo, quando sabemos que estão jogando nosso país de volta à condição de colônia de exploração.  

 - As classes intermediárias: Essa classe, juntamente com as subalternas, que seria a quarta na análise, mas aqui já a fundimos pela simetria de comportamento, mantém-se como as mais bizarras da tipologia. Seu papel é de fantoche, pois atendem aos anseios da classe dominante e do patriciado. Marilena Chauí, assim como Darcy Ribeiro, redigiram sobre seu comportamento, quase como uma cartilha. Chauí denominou-os de imbecis. Os da esquerda, de coxinhas. Estão imbricados com o poder mais corrupto desta nação, ou seja, o poder judiciário. Certamente, foram os responsáveis pelo palco armado em Porto Alegre, em uma propositada realização de execração pública e entorpecimento da vergonha. Responderam, a contento, os anseios daqueles que querem viabilizar-se economicamente e não mais depender da via democrática para alçar ao poder, pois já sabem que pelo voto não possuem competência, já que não conseguem angariá-los. Na época da análise brilhante de Darcy Ribeiro, todoseles são"propensosaprestarhomenagem às classes dominantes, procurando tirar disso algumavantagem". Em nosso tempo, foram aqueles que saíram com a camiseta da seleção brasileira nas ruas pedirem pelo golpe e agora festejam a condenação de Lula. Para estes, não interessa que os crimes da alta cúpula do governo prescrevem, nem que parlamentares e governantes dos partidos azuis e amarelos (PSDB, PP, PMDB, DEM e outros) sejam inocentados, mesmo com gravações, malas de dinheiro, operações nos paraísos fiscais e tráfico de drogas! Interessa apenas fazer um espetáculo e prender o cara que viabilizou direitos e colocou o Brasil na estatura de oitava potência mundial. É o verdadeiro fantoche: pagam mais pelos combustíveis, mas não mais reclamam, pois o objetivo não era o preço e sim retirar Dilma; observam a retirada de direitos, mas fazem de conta que não serão atingidos; são funcionários públicos mas defendem o Estado Mínimo (ou seja, são contra seus próprios trabalhos); estudam pra concursos, mesmo sabendo que não serão abertas mais vagas, bloqueadas pela PEC-55. Entre outras aberrações. Infelizmente, são aqueles que ainda possuem alguma condição de se mobilizar. Em outras palavras, possuem tempo suficiente para passarem vergonha nas redes sociais e obedecer o calendário de manifestações contra a esquerda, pois são teleguiados da Rede Globo e possuem algum enlarguecimento do horário, pois são profissionais liberais, funcionários públicos, microempresários e autônomos que, ao chamamento da TV, levam a família para as ruas para defender "a moral e os bons costumes da família tradicional cristã brasileira". Isso para escamotear a hipocrisia que habita em seu cotidiano e em suas práticas. São estes que apoiaram o MBL e vomitaram nas redes apoio a um almofadinha expulso da corporação militar que acha que vai ser presidente.

- As classes oprimidas: os debaixo que, na última década tiveram alguma ascensão, ao menos uma boa parte, com erradicação da fome (não sou eu quem digo, mas a ONU), agora voltam a ralar e a comprometer-se com as filas do desemprego e com a exploração do trabalho ao bel prazer do patrão, que agora possui todos os direitos e benesses da legalidade. Se já tinham pouca ou nenhuma consciência de classe  e falta de tempo para qualquer coisa que não seja trabalho-casa-igreja, agora são surrupiados pelo derretimento dos direitos. A conta fecha, o que significa que continuarão com as precárias condições de sobrevivência. A esses, está reservada apenas as expressões indiretas de sua revolta, apesar de que sonho com a tal "explosão catártica", ou apenas explosão, no sentido de manifestações e revoluções. Esses dizem muitas coisa na rede, mas é  nessa classe que percebo alguma chance de revanche, pois, pelo que vemos, voltará a ser maioria absoluta. A indignação já está sendo evidenciada. Essa classe elege Lula, por isso querem prendê-lo.

Essa reflexão de Ribeiro nos mostra que, no ciclo da mediocridade, era necessário um Golpe, para "manter tudo como está", como diria um pseudopresidente e, nessa conjuntura, recuperar nosso retrocesso, elaborado pelas classes dominantes, executado pelos fantoches das classes "média" e subalternas e incorporada pelos oprimidos.

Fiquei de tecer considerações sobre o julgamento, mas querem saber: não vale a pena. Há teatros melhores que podem fazer bem pra alma.




terça-feira, 30 de janeiro de 2018

IF-Fluminense divulga dois Concursos Públicos para Docentes e Técnico-Administrativos

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense - IFFluminense anuncia a realização de dois Concursos Públicos para contratar Professores e Técnicos-administrativos.
Por meio do edital nº 235, serão preenchidas trinta e duas vagas de Docentes distribuídas nas áreas de Administração, Agroecologia, Artes/ Música, Artes/ Teatro, Biologia, Edificações, Educação, Educação Física, Eletrotécnica, Engenharia, Engenharia da Computação, Ensino/Tecnologia, Física, Gestão e Negócios, Letras-Espanhol, Matemática, Mecânica, Química, e Topografia.
Em todos os casos os profissionais devem cumprir jornada de 40h com Dedicação Exclusiva e farão jus à remuneração variável de R$ 4.864,98 a R$ 9.585,67.
O edital nº 236 por sua vez, traz 16 oportunidades para cargos administrativos especificamente nas funções de: Assistente de Aluno; Auxiliar em Administração; Revisor de Textos Braille; Técnico em Secretariado; Tradutor Intérprete de Linguagem de Sinais; Administrador; Arquivista; Enfermeiro; Médico - Área de Psiquiatria; Nutricionista e Técnico em Assuntos Educacionais.
A remuneração varia de acordo com o nível de classificação de R$ 1.945,07, R$ 2.446,96; a R$ 4.180,66, e a jornada de trabalho pode ser de 20h a 40h semanais.
Para se inscrever em ambos os casos é necessário preencher a ficha exclusivamente pela Internet, no site concursos.iff.edu.br entre os dias 05 a 30 de março de 2018. Nesta etapa é preciso efetuar o pagamento da taxa de inscrição de acordo com a função escolhida.
Texto adaptado de pciconcursos
fonte da imagem: https://goo.gl/AW1eey

CEFET-MG ABRE INSCRIÇÕES PARA CONCURSO DOCENTE. SALÁRIOS PODEM CHEGAR A R$ 9.585,67

O Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) abre concurso para a carreira de Docente do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico de diversas áreas. O Salário pode chegar a R$ 9.585,67, sem contar o Auxílio Alimentação e outros benefícios. O docente fará parte da carreira docente da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que agrega, além dos CEFETs, os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná e o Colégio Pedro II. 
Para o certame, as inscrições poderão ser realizadas até o dia 12 de março de 2018 com taxa de R$ 233,90. As vagas são de diversas áreas como Engenharias, História, Geografia, Letras, Matemática, entre outras, nos diversos Campus da respectiva instituição. Para mais informações acesse o site do CEFET-MG neste Link




quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Um Feliz 2018!

Neste post derradeiro do ano de 2017 gostaria, em primeiro lugar, de agradecer a todos os seguidores e todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram com essa plataforma, seja com críticas, compartilhamentos, curtidas ou apenas leituras. O fato é que chegamos ao final de 2017 com mais de 365 mil visualizações!!! Pouco, se comparado aos grandes blogs, mas muitos, se pensarmos nas especificidades do blog, que é de conhecimentos. Digo isso pois conhecemos um pouquinho de comportamento e sabemos que blogs com conteúdos rápidos, de cotidiano, ou ainda de postagens fúteis prendem mais aos olhos e são mais bem aceitos pelo público geral. Como não é objetivo quantidade (claro que é né, quanto mais gente melhor!), mas qualidade (penso que pode servir pra alguma coisa), então importo só um pouquinho o fato de ter menos seguidores do que blogs fúteis.

De qualquer modo, a ideia é continuar contribuindo com postagens sobre concursos, estratégias de estudo, música (que é meu hobby), Geografia e Educação (que são minhas áreas de trabalho), livros digitais que encontro na web e organizo e, também, pra não dizer inclusive, política.

Inclusive Política, pois vivemos tempos sombrios, em que é manifesta toda e qualquer forma de perversidade nesse cenário. Quando pensávamos que teríamos um país para os trabalhadores, com dignas condições de vida para os que sempre foram oprimidos, levamos uma invertida, um Golpe de Estado e vivenciamos momentos de cortes de direitos!

Por isso, em segundo lugar, depois dos agradecimentos, desejo um Feliz 2018! Desejo de toda alma, apesar de acreditar que é quase utopia! Nos dois últimos anos, vimos cair a democracia, os direitos trabalhistas, os programas sociais, as estruturas institucionais, nossas estatais sendo quase "doadas", além do constante ataque àqueles que estão na linha de frente da oferta dos bens de consumo coletivo, ou seja, os servidores públicos. Vimos, também, movimentos de repressão por parte do governo ilegítimo e uma dança de cadeiras sem fim nos mais altos escalões, viabilizada pelas descobertas de escândalos. Vimos, por fim, o judiciário implacável, na tentativa de prender alguns sem provas (apenas com delações e convicções), sob o manto do combate à corrupção e, ao mesmo tempo, vimos esse mesmo judiciário encobertar investigações com fartas e robustas provas, além de mandar soltar e devolver o mandato aos mais sujos. Tudo isso, sem a mídia ou a população tecer quaisquer mobilizações, como acontecera por muito menos nos anos anteriores.

Portanto, acredito que em 2018, mesmo diante de tanta insanidade, que o verdadeiro povo brasileiro possa rever o seu lugar e lutar pela manutenção e conquistas de direitos. Isso significa resistência contra o que está posto. Significa, sobretudo, devolver ao povo o que lhe foi tirado: o governo e os direitos.

Sem isso, veremos mais uma vez, em mais um ciclo, a confirmação daquilo que Josué de Castro, Raimundo Faoro, Vitor Nunes Leal, Caio Prado Junior, Darcy Ribeiro, Milton Santos, entre outros, já redigiram sobre nossa trajetória e nossa herança, de um país que não consegue reduzir a desigualdade devida a sanha de uma elite que sempre confundiu o Estado com suas sacolas e seus pratos.

Um 2018 feliz, portanto, da maioria da população brasileira, só será possível se acontecer algo muito diferente de tudo o que está posto, como um "terremoto" que possa fazer o povo sair dessa alienação que, parece, tornou-se uma condição humana (pra lembrar Arendt).  Se tiver outro caminho, por favor manifestem-se. Eu continuarei a lutar por uma sociedade menos nojenta, que respeite os direitos, a cidadania e as diferenças e, acima de tudo, preze por alguns valores cada vez menos visíveis, tais como o direito à livre manifestação, expressão, crença e opções de vida, em uma perspectiva de respeito a todos os seres humanos, independentemente de todas as suas escolhas, bem como, independentemente do seu país de origem e características físicas.

Além disso, continuarei a produzir algumas reflexões que ultrapassem a barreira acadêmica e possa ilustrar algumas manifestações e sentimentos sob minha percepção do homem e da política. Fiquem à vontade para criticar, complementar e compartilhar. Aos novatos por aqui, sejam muito bem vindos!

Um abraço a todos e um 2018 repleto de vida!

Fonte da imagem: https://i.ytimg.com/vi/MWdVvnj5WlQ/maxresdefault.jpg

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

V Seminário Segregação e Crescimento Urbano de Maringá (PR): inscrições abertas


O Observatório das Metrópoles Núcleo UEM/Maringá abre as inscrições até o dia 26 de novembro para o V Seminário Segregação e Crescimento Urbano na Região Metropolitana de Maringá. O evento será realizado no Câmpus Sede da UEM nos dias 27, 29 e 30 de novembro de 2017.

Nos dois primeiros dias a programação inclui apresentação de pesquisas realizadas pelos alunos da Universidade Estadual de Maringá (UEM) dos cursos de graduação e pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, Ciências Sociais, Estatística, Direito, Serviço Social, Engenharia Civil, Geografia e Administração.

No dia 27 de novembro, das 13h30 às 17h30, será realizada a Mesa Redonda 1 com o tema Planejamento para quem? Entre os trabalhos a serem apresentados estão: Novo Centro de Maringá: privatização do espaço público; Parque do Japão: “culturalismo de mercado”; Parque Industrial 3: indústria da valorização imobiliária; Contorno Sul Metropolitano: viabilizando negócios imobiliários. As professoras doutoras do curso de graduação e pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UEM e pesquisadoras principais do Núcleo UEM/Maringá do Observatório das Metrópoles, Fabíola Castelo de Souza Cordovil e Beatriz Fleury e Silva serão as debatedoras.

No dia 29 de novembro, das 8h às 17h, serão realizadas as Mesas Redondas 2 e 3, respectivamente com os temas A Cidade do Planejamento e a Cidade Real. Os debatedores serão o professor doutor do Instituto Federal do Paraná (IFPR) Ricardo Luiz Töws (mesa 2) e o professor mestre do curso de Arquitetura e Urbanismo da Uningá, Marcelo Pereira Colucci (mesa 3). Entre os trabalhos a serem apresentados estão: Qual o projeto econômico para a cidade?; IPTU progressivo no tempo e vazios urbanos; População em situação de rua: descontruindo a invisibilidade.

Além da apresentação dos trabalhos científicos realizados este semestre, na noite (19h30 às 22h) do dia 29 de novembro, os professores doutores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadores do INCT Observatório das Metrópoles, Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro e Orlando Alves dos Santos Júnior estarão à frente da Mesa Redonda 4 ministrando o tema Como se governam as cidades. A ação também é alusiva a abertura da Oficina Regimes Urbanos- INCT Observatório das Metrópoles.

Na mesma ocasião (29) haverá o lançamento do Fórum Metropolitano pelo Direito à Cidade, que surge a partir da experiência do Fórum Maringaense pelo Direito à Cidade, com o objetivo de articular o debate sobre a governabilidade metropolitana.

No dia 30 de novembro as atividades serão exclusivas e restritas aos pesquisadores do INCT Observatório das Metrópoles.

INSCRIÇÕES: As inscrições estarão abertas até o dia 26 de novembro no sitehttps://www.observatoriodasmetropolesmaringa.com/ ou diretamente por meio de formulário disponibilizado no link: https://goo.gl/forms/xgoVJOP76oeqT8Il1.

Fonte do Texto: observatório



quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Lançada chamada pública para avaliadores de livros didáticos

O Ministério da Educação publicou, no último dia 30, no Diário Oficial da União, chamada pública para a candidatura de professores interessados em participar da etapa de avaliação pedagógica das obras inscritas no Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) 2019. Serão selecionados cerca de 600 profissionais que tenham, pelo menos, mestrado. Os interessados têm até o dia 27 de novembro para se inscrever.

Podem participar professores das redes pública e privada da educação básica e da educação superior. Serão avaliadas cerca de 260 coleções, que têm, em média, cinco livros cada. Caberá aos selecionados verificarem se os livros estão aptos para serem utilizados tanto por docentes como por estudantes. As avaliações serão realizadas entre janeiro e maio de 2018.
A coordenadora-geral de Materiais Didáticos do MEC, Karla Monteiro, destaca a importância que o trabalho dos especialistas terá para filtrar os melhores títulos destinados à educação básica. “É com base no trabalho deles que a gente tem um material de melhor qualidade. São eles que vão fazer um filtro para que o material que chegue para escolha das redes e das escolas seja o melhor para concretizar a educação na ponta”, destaca.
A novidade este ano é que serão avaliados livros destinados aos professores da educação infantil e a docentes e estudantes dos anos iniciais da educação básica. Além disso, foram incluídos pela primeira vez materiais didáticos de educação física e de projetos integradores, que trazem propostas para o ensino de várias disciplinas ao mesmo tempo.
Serão avaliados ainda livros de língua portuguesa, matemática, arte, ciências, história e geografia. Os professores selecionados passarão por uma formação antes de iniciar a avaliação dos livros. É vedada a participação daqueles que tenham qualquer tipo de relacionamento que configure conflito de interesse com editoras e autores.
Para participar, basta que os professores interessados acessem o Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do MEC (Simec) e solicitem cadastro, caso não o tenham. Em seguida, devem se inscrever na opção Livro Didático. Em caso de dúvida, basta enviar um e-mail para avaliadores.seb@mec.gov.br.

Fonte: MEC




domingo, 29 de outubro de 2017

PALESTRAS SOBRE O PLANEJAMENTO URBANO DE MARINGÁ (PR)

Tivemos a oportunidade de ministrar, em um curto espaço de tempo, algumas palestras sobre o planejamento urbano de Maringá (PR). Em algumas destas abordamos os aspectos mais regionais e em outras, aspectos do espaço intraurbano de Maringá. 
O tema pautado diz respeito às fases do planejamento urbano de Maringá (PR), em que discorremos sobre "a cidade plantada", o planejamento regulatório e o planejamento estratégico. O resumo de nossa pesquisa, que colocamos abaixo, refere-se ao trabalho de doutoramento realizado no PGE-UEM, cuja tese em pdf pode ser baixada e lida. 
Além disso, disponibilizamos, aqui, uma das apresentações que abrangeu mais detalhes sobre nossa exposição. Portanto, segue resumo para melhor entendimento: 
"O planejamento urbano vem sendo justificativa ao marketing urbano, ao empreendedorismo urbano ou empresariamento urbano, com uma roupagem nova denominada como planejamento estratégico de cidades, fruto do modelo neoliberal que atinge as cidades, frente ao processo de globalização econômica, que em seu cerne está a produção da cidade do espetáculo. Na análise sobre o planejamento urbano de Maringá (PR), percorremos por suas diversas fases e buscamos compreender ou apreender se os grandes projetos urbanos que são pensados e executados na cidade estão vinculados ao modelo que já alcançou diversas cidades do mundo, ora por atração de megaeventos, ora como justificativa para ‘requalificar’, ‘reurbanizar’ ou dinamizar o desenvolvimento urbano por meio de grandes intervenções e realização de grandes projetos urbanos. Para essa compreensão, partimos do objetivo de analisar o planejamento urbano e a produção do espaço urbano em Maringá (PR), para entender a lógica do Estado e dos agentes na produção da legislação urbanística, dos grandes projetos urbanos e, consequentemente, da produção da cidade para a reprodução ampliada do capital. Para o entendimento da geografia urbana maringaense, analisamos a formação sócio-espacial, a expansão urbana e o processo de verticalização, sobretudo pautado na análise da regulação para definir a vigência do planejamento urbano regulatório. Respeitando a escala de abordagem, Maringá apresenta algumas características que permitem a compreensão da pauta sobre as cidades, em que a política urbana é frágil, no sentido de permitir que os grupos hegemônicos consigam reproduzir suas estratégias e ações, viabilizando a cidade para a reprodução ampliada do capital, logo a valorização fundiária e imobiliária, e, no oposto, inviabilizando a cidade para parte da população. São utilizadas modernas tecnologias de representação que geram alienações sociais, colocando a cidade em evidência e valorizando o solo urbano, para justificar a cidade e coloca-la à venda para o grande capital. Na verdade, as práticas são tradicionais, travestidas de grandes feitos, cujo mote advém do nosso passado recente, de sociedades tradicionais e relações sociais arcaicas que se reproduzem na escala urbana para garantir a hegemonia das elites sobre o processo de produção da cidade. Os grandes projetos urbanos analisados são o Novo Centro (Projeto Ágora), a Zona 10, o Projeto Eurogarden e a Cidade Industrial de Maringá".
Caso haja interesse, disponibilizamos os links que dão acesso à pesquisa e às palestras: 
Tese de Doutorado sobre o planejamento urbano de Maringá (PR); 
Apresentação de Palestras realizadas sobre o tema; 
Vídeo sobre o Projeto EuroGarden; 
Vídeo sobre o Projeto Cidade Industrial. 
O único pedido é que, ao utilizar partes, cite a fonte. 

Fonte: GGN


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Evasão Escolar: Quase três milhões de jovens decidem abandonar a escola anualmente no Brasil, diz pesquisa

Fonte (link)

"Um levantamento do Instituto Ayrton Senna e do Insper revela que a saída desses alunos gera um prejuízo de R$ 35 bilhões ao país. Os principais motivos para a evasão escolar são a qualidade de ensino, o clima do ambiente escolar e a baixa resiliência emocional (CBN)". A partir dessa divulgação realizada há pouco pela rádio e site CBN, passei a refletir sobre os inúmeros problemas da educação e, automaticamente, de algumas possibilidades de reversão do quadro.

Pela pesquisa, é evidente que há uma tendência para o agravamento da situação, ao contrário das propagandas realizadas pelo ministro da Educação e MEC, uma vez que eles alegam que a reforma do ensino médio será positiva, quando sabemos que é medida paliativa para que a escola possa atender ainda mais as exigências do mercado de trabalho, desconsiderando, para todos os efeitos, as possibilidades de emancipação pelo conhecimento e evolução do pensamento. A nossa Constituição, outrora denominada de Constituição Cidadã (pois suas intensas deformações, sobretudo nos últimos meses está erodindo todas as possibilidades de cidadania) prezou por uma educação para a cidadania. Logo, as políticas públicas voltadas para a educação tinham que dar conta não apenas dos conhecimentos técnicos e propedêuticos para o acesso ao mercado de trabalho, mas sobretudo que pudesse gerar emancipação pelo saber, formação cidadã e preparação para o mundo social do trabalho, consequentemente, para o mundo da vida. Só essa mudança de concepção já causaria alterações irreversíveis na condição atual.

No entanto, os cursos de formação de professores, em sua maioria, prezam mais pelos conhecimentos e conteúdos que envolvam formação de pesquisadores do que vieses que tragam e desenvolvam habilidades relacionadas à formação "de" professor. É comum ouvirmos que o profissional egresso dos cursos de formação de professores precisam aprender na prática, pois a universidade e/ou faculdade não ensinou-o a ser professor e atuar como professor.

Paralelamente a isso, os que conseguem tornar-se professores ou educadores, com ampla leitura sobre os pressupostos pedagógicos, que consigam relacionar os conhecimentos vinculados ao entendimento do estudante como sujeito de sua própria história, bem como que compreendem as particularidades do mundo escolar, deparam-se com dificuldades estruturais, cujas variáveis não cabem nessa análise, dada sua expansão e brutalidade. Mas realçamos, por exemplo, as mais presentes, como desvalorização da profissão, baixos salários, alta carga horária de aulas e condição itinerante do professor, cujo único tempo de reflexão e preparo é revertido para a mobilidade entre uma e outra escola.

Na miríade conhecida de adversidades, podemos destacar os métodos e tendências pedagógicas adotadas, consideradas pelos muitos gabinetes que pensam a educação como ultrapassadas e que não mais dão conta das necessidades do mundo atual. 

É sabido que a humanidade evoluiu em progressão geométrica, se pensarmos em termos de tecnologias e facilitadores da vida cotidiana. Porém,  infelizmente, essa evolução é desigual, tanto em termos de distribuição de renda [ler sobre isso na matéria sobre Oxfam] e acesso às oportunidades, quanto em termos de rebatimento no território, pois o desenvolvimento geográfico desigual ilustra as particularidades e diferenças entre as regiões brasileiras, se pensarmos apenas em nosso caso. Tais características do sistema produtivo atingiu também os espaços escolares, pois a educação sempre foi deixada em planos subalternos àqueles destinados ao desenvolvimento do setor produtivo. Isso é contraditório, pois sabemos que há uma sincronia entre educação, tecnologia e desenvolvimento dos setores produtivos e sociais, o que demonstra que não há, evidentemente, interesses por parte da elite econômica e política deste país, de viabilizar uma educação universal que traga o mínimo de dignidade e possibilidades de execução para as comunidades envolvidas. 

O sistema implementado, arcaico e ultrapassado, recria e permite uma relação causal e circular entre execução e desastre, de modo que não mais consigamos identificar a linha tênue que possa separar a gestão de todo processo e a consequente prática pedagógica, dos resultantes e rebatimentos na sociedade.

O que temos certeza é que não funciona, pois os índices e dados, inclusive os desta pesquisa, demonstram que serão necessárias intervenções estruturais e de longo prazo, que, digamos de passagem, devem estar na contramão dessa pseudorreforma colocada verticalmente por um ilegítimo governo. Os jovens precisam trabalhar, pois as condições de vulnerabilidade urgem à frente das mínimas condições de manutenção dentro da escola e, por isso, deixam a escola. Porém, de acordo com a pesquisa, os principais motivos da evasão são a qualidade de ensino, o clima do ambiente escolar e a baixa resiliência emocional.

Em termos de qualidade do ensino, considerando todas as variáveis que já apontamos, é necessário compreender que a maioria dos jovens têm acesso aos meios de comunicação de massa, aos recursos viabilizados pelos meios de comunicação de massa e tecnologia e atrativos digitais e tecnológicos melhores do que uma aula. Além disso, a maioria preocupa-se com as condições fisiológicas e emocionais, que envolvem a vida relacional, desviando os interesses pela escola. Soma-se a isso, o fato de o ensino, em caixinhas e disciplinas separadas e sem significado e rebatimento direto na vida cotidiana inibe os interesses e não produz o encantamento necessário para que o jovem sinta-se sujeito do processo escolar. É necessário buscar novos currículos, diversificados e atraentes, em uma perspectiva de aprender fazendo, o que a pedagogia por projetos [ver exemplos sobre isso] pode ser uma saída interessante. O jovem, agente e não ator de um processo, pode transformar o espaço e o ambiente escolar, a partir de uma atuação cotidiana, que envolva pesquisa, extensão e ensino de forma indissociável, cuja prática torna-se o motor para a compreensão dos pressupostos teóricos e do conhecimento historicamente produzido.

Entramos, desse modo, no segundo motivo: o clima do ambiente escolar. As dificuldades herdadas pela comunidade e por ambientes de vulnerabilidades de todas as ordens, inerentes à complexidade familiar e institucional, leva o indivíduo a buscar resistências, o que gera conflitos. Tais conflitos passam pela perspectiva das relações interpessoais entre os próprios estudantes e entre eles e os docentes. Os professores, em parte doentes por diversos motivos, entre eles os que já apontamos, passam pela perplexidade de uma formação que inviabilizou sua atuação, com a adição direta dos problemas relacionados aos valores das gerações. Docentes formados por outros valores e concepções, geralmente tradicionais, agora não conseguem criar uma intersecção entre a forma de vida da "geração polegarzinho". A saída é pela leitura e pela formação continuada, que é artigo de luxo em uma labuta de 3 turnos. Os docentes, tendo que cumprir as bases comuns, transmitem os conhecimentos independentemente da aprendizagem de seus estudantes.

Jovens que acessam a informação com uma velocidade muito maior do que os adultos, passam como planadores no oceano, apenas de forma rasante sobre os saberes, sem conhecer e ter qualquer condição de conhecer os saberes de forma abissal. São envolvidos pelas atratividades de uma mídia manipuladora que os convertem em virtuosos "papagaios" na interpretação da realidade. A simbiose entre os problemas inerentes à vida do sujeito e os problemas trazidos pela escola geram situações tóxicas em relação ao clima e ambiente escolar, desmotivando a continuidade. Para o docente, é enxugar gelo; para o estudante, é entediante e perca de tempo. As soluções passam pela discussão sobre os engessamentos escolares, que nada permitem e que desconectam os estudantes do mundo, quando deveriam conectá-los. A aprendizagem com significado gera o "pagamento" ao docente, pois ver o estudante aprendendo é dignificante e prazeroso. Mas isso só é possível se ocorrer uma mudança curricular que mude o tempo e os espaços de trabalho, dinamitando as paredes e lacunas, físicas ou burocráticas, que inibem a liberdade de aprender e ensinar [ver exemplo temático].

Por fim, a baixa resiliência emocional está relacionada ao que também apontamos. Longe de esgotarmos um tema tão complexo em termos psicológicos e psicossociais, sabemos que a modernidade líquida trouxe situações ainda passíveis e carentes de interpretação. No entanto, é salutar observarmos que a dificuldade de encarar frustrações, os conflitos com um ambiente escolar que mais parece um presídio e o descolamento entre a prática pedagógica e as necessidades atuais da sociedade são variáveis a serem consideradas para entendermos essa lógica. 

A alteração da lógica passa por discussões sobre a necessidade de fragmentar o sistema, pois um país com 5.570 municípios, 27 estados e uma população de aproximadamente 207 milhões de habitantes em uma extensão territorial de dimensão continental, não pode ser regido por uma base, um sistema, uma forma de controle e apenas uma gestão, agora apodrecida por gente que não deveria nem passar pela Esplanada dos Ministérios.  A liberdade de execução, a capacidade de interação com os envolvidos e o respeito às particularidades locais e regionais podem ser saídas interessantes para o rompimento de uma lógica de sociedade que, ao invés de privilegiar a educação, realiza culto ao sistema carcerário e produz valores que a Idade Média já demonstrou que não dá certo.  

BIBLIOTECA DAVID HARVEY

Prezados amigos Geógrafos, Sociólogos, Cientistas Políticos, Economistas, Urbanistas e Afins... Disponibilizamos a Biblioteca David Harvey que construímos com a ajuda dos amigos, em especial Wagner Vinícius Amorim. São 83 itens entre livros, artigos e entrevistas. Boa Leitura!!!



Veja a relação de textos abaixo. Para acessá-los, basta clicar em qualquer imagem!!!




segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Nosso novo projeto no IFPR: A ESFINGE - Olhares e Práticas Multirreferenciais e Interdisciplinares em Educação

A Educação e a pedagogia no Brasil são objetos de reflexão de inúmeros gabinetes de pesquisa, sobretudo em conexão com pensadores com formação direta nos objetos. No entanto, a ontologia temática demanda investigação por pesquisadores de diversas áreas, uma vez que é necessário refletir sobre o fazer e o pensar pedagógico, em uma perspectiva que seja multirreferencial e interdisciplinar. Multirreferencial, pois a realidade é, em boa medida, assincrônica, o que permite que busquemos a expertise desde o espectro da base filosófica até a base tecnológica, viabilizando a multidisciplinaridade, tão evocada no entendimento dos objetos e ações que envolvem a complexidade educacional brasileira. Interdisciplinar, pois o próprio objeto de investigação demanda processos históricos, plataforma teórica e variáveis empíricas que desencadeiam tal complexidade, carente, sempre, de debates teóricos fundamentados e, sobretudo, ações concretas que possam ser de vanguarda e de inovação. Nesse viés, pesquisadores da Educação, Artes, Filosofia, Geografia, Biologia e Informática (A ESFINGE) uniram esforços para viabilizar uma pesquisa pretensiosa, no sentido de seu espectro, mas profícua no sentido do entendimento da unicidade do objeto. Os resultados esperados envolvem relatos de experiência, entendimento de modelos educacionais, protótipos e ferramentas que viabilizem a aprendizagem e contribuição para o debate teórico sobre educação. O método de análise adotado baseia-se no materialismo histórico e dialético e a metodologia tem particularidades que busca interseccionar o referencial teórico, o empírico, o técnico e o tecnológico. Os ambientes de pesquisa permitem a proposta, na medida em que a instituição mãe possui, em sua Lei de Criação, uma perspectiva pluricurricular e viabiliza um ambiente que ainda busca uma identidade, face à tentativa de conexão entre seu tamanho/ complexidade (em todo território nacional) e o atendimento às demandas dos arranjos produtivos locais e sociais dos rincões do país. Desse modo, o cerne teórico perpassa pela discussão do conceito de cultura, que, entendemos, unifica os olhares dos pesquisadores envolvidos, viabiliza uma discussão necessária sobre os processos de vivência e formação, busca compreender as dificuldades de implantação de processos de vanguarda e inovadores na educação e permite que inovações sejam realizadas, tanto em termos curriculares, justificando a discussão das políticas públicas, quanto em termos tecnológicos, a partir da criação de plataformas para fomentar objetos didáticos e pedagógicos inovadores.

Mais Informações sobre as atividades desenvolvidas estão disponíveis em www.aesfinge.com.br




Fonte: P.M.Astorga

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Concurso Público aberto pelo IFMT para Professores e Técnico-Administrativo - Salários até R$ 10.028,41

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso - IFMT realiza Concurso Público com o objetivo de selecionar Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico e Técnico-Administrativo em Educação.
As 11 oportunidades para Professores com Graduação ou Licenciatura estão nas seguintes áreas: Administração (2); Arquitetura (1); Biologia (3); Economia (1); Geografia (1) e Língua Portuguesa e Literatura Portuguesa Brasileira (1).

Campus Sorriso (Fonte no link)
Há ainda uma vaga de Técnico-Administrativo em Educação no cargo de Psicólogo, no qual será preenchida por um profissional com Bacharelado em Psicologia.
Dentro do total de funções de nível superior, há vagas exclusivas para candidatos que se enquadrem nos itens que estão especificados no edital disponibilizado nesta página eletrônica.
A remuneração inicial terá valor variável conforme a titulação do candidato que poderá ser de R$ 4.180,66 até R$ 10.028,41, acrescido de auxílio-alimentação, para jornada de trabalho integral de 40h semanais.
Os interessados deverão se inscrever entre 21 de setembro até o dia 15 de outubro de 2017, via internet, pelo site selecao.ifmt.edu.br. A taxa de participação será de R$ 120,00 ou R$ 150,00.
Mais informações no site

Fonte: Adaptação do site PCI

Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEM abre processo seletivo para ingresso no Mestrado e no Doutorado

O Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Maringá (PGE-UEM) lançou edital com 36 vagas, sendo 19 no curso de Mestrado e 17 no Curso de Doutorado. As inscrições iniciam-se no dia 23/10 e o prazo expira em 30/11/2017. 
O processo de seleção será constituído de três fases, sendo a primeira fase uma prova escrita de caráter eliminatório, a segunda fase da pontuação do Curriculum Lattes de caráter classificatório e a terceira fase análise do projeto de caráter classificatório. 
O Curso é reconhecido pela CAPES com Conceito 5, o que o coloca entre os melhores do país na área de Geografia. O processo de seleção obedecerá ao cronograma a seguir:
Inscrições Período: 23.10 a 30.11.2017 (via correio, Sedex) 
Divulgação da homologação das inscrições e local da prova 05.12.2017 
Prova Escrita 19.02.2018 - 8h30 – 11h30 
Correção Prova Escrita e Pontuação Curriculum Lattes 20 – 22.02.2018 (Comissão Seleção)
Pontuação Projetos 20 – 21.02.2018 (Orientadores) 
Divulgação Resultado Preliminar 23.02.2018 (Comissão Seleção) 
Divulgação Resultado Final 28.02.2018 (Homologação – Colegiado do PGE).

Para se inscrever e acessar mais informações, clique no link do PGE



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

OBSERVATÓRIO NACIONAL abre inscrição para seleção de mestrado e doutorado em Astronomia e Geofísica

O Observatório Nacional está com as inscrições abertas para seleção aos cursos de pós-graduação em Astronomia e Geofísica, Mestrado e Doutorado, para ingresso no 1º semestre letivo de 2018.
Fonte: ON
Para Astronomia, as inscrições para a seleção para mestrado terminam em 10 de novembro e para o doutorado, em 17 de novembro. Podem se inscrever para a seleção graduados em Astronomia, Física, Matemática e áreas afins.
Para Geofísica, as inscrições para a seleção para mestrado e doutorado terminam dia 30 de novembro. Podem se inscrever nos cursos de mestrado e doutorado em Geofísica graduados em Geofísica, Geologia, Física, Matemática ou áreas afins (ciências exatas e engenharias).
No mês passado, a Pós-graduação em Astronomia do Observatório Nacional recebeu nota 6 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação (MEC). A Pós-Graduação em Geofísica tem nota 4, numa escala que vai até 7.
Para mais informações, os interessados devem acessar os editais:

Fonte: ON

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

DOSSIÊ "ESCOLA SEM PARTIDO". LEITURA OBRIGATÓRIA

Acaba de ser publicado o Dossiê Escola sem Partido e Formação Humana.  Pedimos que divulguem esse Dossiê, pois ainda é escassa a discussão acadêmica sobre esse projeto conservador que avança por todo o país. Esperamos ter contribuído em alguma medida para essa discussão.




Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 14, Ano XIV, Número 1 – Janeiro / Julho – 2017).


Na lateral esquerda, clicar em "Dossiê".


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Relatório da OXFAM "Uma economia para o 1%" é apresentado em DAVOS

Fonte: https://cdn.thinglink.me/api/image/827328998940868608/1240/10/scaletowidth


A OXFAM trata de questões humanitárias e luta contra a desigualdade ao incentivar mudanças necessárias para a redução da pobreza e desigualdade e a promoção da justiça social. Ela produziu um relatório que foi apresentado em DAVOS e repercutiu mundialmente pelo trabalho, mas sobretudo pelos dados demonstrados. Uma economia para o 1% ilustra o aumento da desigualdade no mundo e especifica como o Capitalismo, em seu atual estágio, beneficia meia dúzia de indivíduos. No Brasil, seis indivíduos concentram mais capital do que 100 milhões de habitantes juntos. Há a evidente demonstração de que o mundo passa por um processo ainda maior e mais acelerado de concentração de riqueza, em que os ricos se tornam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, em uma espécie de drenagem de renda "para cima".
Para a entidade, "em diferentes setores da economia global, empresas e pessoas muitas vezes usam seu poder e posição para garantir ganhos econômicos para elas próprias. Mudanças ocorridas nas políticas econômicas nos últimos 30 anos – como as decorrentes da desregulamentação, da privatização, do sigilo financeiro e da globalização, especialmente do setor financeiro – potencializaram a velha capacidade dos ricos e poderosos de usar sua influência para concentrar ainda mais sua riqueza. Essa agenda política tem sido essencialmente impulsionada pelo que George Soros descreveu como “fundamentalismo do mercado”. Esse fenômeno constitui, em grande parte, o cerne da crise de desigualdade dos nossos dias. Sua consequência é que as recompensas usufruídas por poucos não representam, em muitos casos, retornos eficientes ou justos".
De modo geral, o capital financeiro ajuda a desencadear esse processo de concentração, uma vez que há uma especialização cada vez maior de indivíduos que protegem os donos da riqueza, bem como as aplicações são direcionadas para fundos e ações, em boa parte das vezes, desvinculadas do setor produtivo. Além disso, o uso da influência dos mais ricos contribui para que a apropriação e aumento das fortunas sejam ainda maiores e mais elevados. Ao ler o documento, percebemos que há um movimento mundial de inflexão dos programas governamentais que beneficiaram os mais pobres no início do século, o que também contribui para essas disparidades. No Brasil, por exemplo, de acordo com o relatório, a classe trabalhadora foi contemplada com o aumento de renda nas últimas duas décadas, fruto de governos que viabilizaram algumas políticas para os mais pobres. No entanto, não existiram ações que aproximassem os mais ricos dos mais pobres, pois, ao passo que os mais pobres saíram da extrema pobreza, os ricos tornaram-se ainda mais ricos. A altíssima concentração foi fator decisivo para que houvesse a ruptura democrática e os discursos pró-capital imperassem de forma alienante e alienada, usando, a partir da mídia, a parcela mais pobre para defender os mais ricos, em uma espécie de bizarrice. A disparidade de renda reflete ainda sobre algumas outras grandes desigualdades que temos que enfrentar, uma vez que, conforme a pesquisa, as mulheres ganharão como homens só em 2047, e os negros como os brancos em 2089.
O resultado disso é uma ampliação das desigualdades gerais e o deslocamento de mais indivíduos pelas camadas mais baixas de renda. Na mesma direção, houve a destinação das políticas públicas para beneficiar os mais ricos do país e, sobretudo, as grandes multinacionais de fora do país, colocando-nos em uma situação de retrocesso, pois havia algum avanço de políticas públicas para a população nos últimos anos. Percebemos que há um movimento mundial nesse sentido, com a utilização dos meios de comunicação de massa para a alienação da população, pois isso garante a reprodução ampliada do capital por aqueles que já o detém. Harvey, no livro "17 contradições e o fim capitalismo" aborda como o Estado legitima e apoia a acumulação por espoliação: a transformação de direitos coletivos à terra e a outros valores de uso (moradia, saúde, educação etc.) em propriedade privada, de acesso desigual e regulado pelo capital em mercados que, muitas vezes, foram criados mediante violência, corrupção ou legalização do que já foi ilegal. Sua forma atual é o neoliberalismo, que justifica “tecnicamente” a privatização e a austeridade".  O relatório evidencia algumas dessas contradições que tem como resultante o caos econômico e o sofrimento da maior parte da população mundial. Além disso, Harvey ilustra teoricamente de forma coerente o que tem acontecido no mundo e, de forma específica, podemos destacar o que acontece com o nosso país, em um movimento de inflexão e, consequentemente, uma guinada ultraliberal, que pode jogar para mais adiante as possibilidades de igualdade entre mulheres e homens e negros e brancos.
As saídas passam por criar alternativas, pois como disse Rob Riemen, "a classe dominante nunca será capaz de resolver a crise, pois ela é a crise". É preciso, em primeira instância, incentivar a população a deixar de acompanhar os meios tradicionais de telecomunicação que cria a desgraça cotidiana para manter os indivíduos com a falsa sensação de que estão isentos. Em outras palavras, o sujeito vê a desgraça alheia e pensa: "pelo menos não é comigo", ou "pelo menos não aconteceu em meu país, cidade, bairro...", então tenho que render graças por estar vivo. A operação das informações e sua disseminação por economistas de mercado tendem a autoafirmar e tentar justificar as benesses do capital e da viabilização dos recursos públicos para o mercado, quando sabemos que trabalham ardilosamente pela economia para o 1%.
Em segundo lugar, como dizia Tomas Pikketty, é necessário taxar os ricos e fazer com que eles paguem a conta, de modo a amenizar os verdadeiros assaltos aos trabalhadores. Para isso, é necessário reestabelecer a democracia, no nosso caso, e, em todos os casos, conduzir ao poder governos que estejam descolados dessa lógica, ou seja, na contramão do que estamos assistindo no mundo.
Em terceiro lugar, é necessário criar práticas subversivas e de resistência, a partir de lutas que possam convencer a população do que de fato é importante para que possam ter uma vida digna. Isso passa pela erosão da propriedade privada e a conquista de direitos aos trabalhadores.
Por fim, viabilizar cada vez mais trabalhos como esse, na incansável luta de usar a ciência para demonstrar as perversidades existentes nas organizações e instituições, que usam de  fundamentalismos a técnicas de ponta para manutenção do status quo.  Nesse caso, além de demonstrar ao mundo "pra onde estamos indo", é preciso desmistificar e atuar de forma decisiva sobre questões relacionadas ao combate à fome e à pobreza, combate à violência, preservação do meio ambiente, entre outros.

O relatório na íntegra pode ser acessado no link (cliqueaqui). 

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